No post anterior relatámos a história da Rita e da Sara, colegas do mesmo grupo de recrutamento, posicionadas na lista de graduação com cerca de mil lugares de diferença. Vamos então actualizar a situação face aos resultados dos concursos conhecidos hoje. Tal como tinhamos previsto, as férias da Sara foram descansadas, não passou pelo stress e pela angústia desta manhã e início de tarde, não teve de fazer as malas, não precisou de ir à secretaria solicitar a declaração para o Centro de Emprego. Ela já sabia que iria correr tudo bem. E correu. Acabou de aceitar a renovação do seu contrato na escola TEIP onde leccionava. Naturalmente, trata-se de um horário COMPLETO. São 22 horas e a garantia de continuidade nos próximos anos, se nada se alterar e este escândalo se mantiver.
E a Rita? A Rita já sabia que não iria renovar o seu contrato na escola onde leccionara em 2010/11. E não renovou. Acabou colocada noutra escola, mais distante, com um horário de 18 horas. Vai perder tempo de serviço, remuneração e não poderá renovar contrato.
Recorde-se: a Sara lecciona há 2 anos e uns meses. A Rita lecciona há 11 anos. A Sara está atrás da Rita cerca de 1000 lugares na lista de graduação! Repetimos: Mil lugares!!! Mais palavras para quê??!
Vamos deixar a triste história da Rita e da afortunada Sara (ambas classificadas com Excelente, note-se) e passemos a outros escândalos.
Como todos sabem, neste concurso, os horários completos para contratados não abundaram. Com excepção das TEIP. Aí a vida continuou a sorrir para muitos colegas, através dos tais critérios “feitos à medida”. Vamos a casos concretos, pois as situações têm mais força quando se referem casos concretos, sem com isto pretendermos fazer qualquer “caça às bruxas”, repetindo que não são os colegas que estão em causa, nem a qualidade do seu desempenho profissional mas sim os critérios de selecção e o erro crasso do ME em ter impedido os contratados de concorrerem para as TEIP, em devido tempo (2009). Voltando às situações concretas, importa referir também que as listas de colocação são públicas, qualquer professor as pode analisar. Foi só isso que fizemos. E não precisamos de procurar muito para termos a confirmação plena do que referimos no post anterior.
Vejamos o caso do grupo 520 (apenas como exemplo do que se passou, certamente, em muito dos restantes grupos): o último horário completo foi atribuído ao candidato com o número de ordem 551 (e é preciso frisar que muitos colegas colocados com número de ordem inferior, ou seja, com melhor graduação, não tiveram horário completo). No entanto, diversos candidatos com números de ordem superior a 1200, e até 1500 ou, pasme-se, cerca do 1700, que NÃO foram colocados neste concurso, acabaram de aceitar, com toda a tranquilidade, horários COMPLETOS (22 horas) nas escolas TEIP onde leccionaram em 2010/11. Mais palavras para quê??!
Absolutamente inaceitável! Voltamos a frisar que não está em causa a qualidade do desempenho destes colegas, mas não podemos nem jamais admitiremos que os outros, posicionados muito, mas mesmo muito, acima na lista graduada (e com bastante mais tempo de serviço) não sejam também bons professores e, acima de tudo, fiquem impedidos de concorrer em condições de maior igualdade com os colegas agora “automaticamente” reconduzidos por critérios absolutamente blindados.
Fica ainda mais um pormenor tristemente caricato quanto aos resultados deste concurso: nas colocações do referido grupo de recrutamento, alguns colegas posicionados no topo da lista (entre os 20 primeiros), provavelmente preocupados com as notícias que apontavam para uma verdadeira hecatombe e um alastrar do desemprego docente (facto que, infelizmente, se confirmou em grande medida), concorreram também a horários do intervalo 3 (12 a 17 horas). Deste modo, acabaram colocados (provavelmente na zona que desejavam, admitimos) mas com horários de 17 e 12 horas. Nas TEIP, 1600 lugares depois… os horários são todos completos, com 22 horas. Há aqui qualquer coisa que não bate certo. Definitivamente! É fundamental, é urgente, que esta situação seja corrigida e alterada, e faz todo o sentido exigir que, num próximo concurso para TEIP, todos os professores possam concorrer com respeito pela sua graduação profissional. E até admitimos que, a partir dessa hipótese dada a todos, no que seria um ano zero, os critérios de desempate, nos anos seguintes, possam privilegiar quem pretenda continuar e tenha tido um bom desempenho.





