OCCUPY WALL STREET ENTRA NA QUARTA SEMANA E NÃO ESMORECE
Neste Sábado, 6 de Novembro, vai decorrer uma manifestação da Administração Pública, convocada pela Fenprof e pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública.
É previsível que essa manifestação reúna muita gente, atraída pelo escape que esse momento fornece à raiva acumulada por todas as agressões de que os funcionários públicos têm sido alvo, e porque, em ocasiões como esta, os sindicatos não deixam os seus créditos organizativos por mãos alheias.
Mas também é previsível que o evento não deixe marcas e esteja já esquecido no dia seguinte. Os trabalhadores terão extravasado o seu protesto; os sindicatos poderão inscrever um «visto» na sua agenda. E tudo correrá como antes. Ou seja: cada vez pior.
Há, portanto, fortes riscos de que esta manifestação constitua um não-acontecimento.
Nenhum regozijo da nossa parte perante essa eventualidade. Apenas a revolta e a amargura pelas coisas não serem diferentes. Pelos sindicatos serem o que são: instituições incapazes de vislumbrar para além da rotina e das estratégias acordadas no directórios partidários que os dominam.
Esta manifestação surge tardiamente, desligada de um plano de luta prolongado e consistente – noutro “post” falaremos dessa não-luta que é a greve geral de um dia -, de uma perspectiva de resistência que fosse efectivamente mobilizadora para trabalhadores cujo desespero só é ultrapassado por uma enorme sensação de impotência.
Não temos dúvidas de que muitos de nós, membros da APEDE, vão participar na manifestação. Mas fá-lo-ão com este aperto na garganta:
a consciência de que, uma vez mais, os sindicatos colocam os professores e demais trabalhadores da Função Pública perante um dilema que não devia existir:
se estes integram a manifestação, estão a dar o seu contributo para mais uma manobra partidário-sindical em que os trabalhadores fazem apenas figura de peões; se não a integram, contribuem para dar uma imagem pública de (ainda maior) desmobilização, sugerindo que os funcionários públicos estão, afinal, muito satisfeitos perante o horizonte de empobrecimento que têm pela frente.
Este dilema não existiria, se as direcções sindicais não continuassem a apostar em programas nos quais os trabalhadores são pouco mais do que uma nota de rodapé.