A vida é muito curta amigas e amigos. Começo a sentir-me um pouco cansado, sem vontade para nada, um pouco desanimado. Preciso de mudar qualquer coisa. Nestas ocasiões, lembro-me de António Variações, “só estou bem onde não estou, só quero ir onde não vou”. Não me apetece fazer o que precisa de ser feito. Faço o que não devia ser feito. Faço planos, depois refaço e por fim desfaço. Entusiasmo-me com facilidade, mas acabo por desiludir-me com mais facilidade ainda. Sou um idealista e um crédulo. Está a tornar-se entediante esta minha rotina. Tudo muito repetitivo. Preciso de mudanças. Mas não sei quais. Às vezes detesto-me. Às vezes preciso de estar só. Hoje é um desses dias. A vida é curta disse acima. E há tantas coisas por fazer e eu sem vontade nenhuma.
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Senhas
Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto de bons modos
Não gosto
Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto de bons modos
Não gosto
Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas
O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto de bons modos
Não gosto
Eu aguento até os estetas
Eu não julgo a competência
Eu não ligo para etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
Eu compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades
O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto de bons modos
Não gosto
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem…
Adriana Calcanhoto
