Ai Portugal, Portugal (II)

1 – Nestes casos as notícias não são boas nem más, são situações recorrentes, conhecidas, sentidas no quotidiano dos dias, por muitos de nós. Dizer que os salários reais baixaram não é notícia. Como não foi notícia no ano passado ou ainda no anterior. A novidade é que é preciso recuar 22 anos, quando a inflação andava pelos 25 por cento, para se encontrar paralelo com a actual. A maior perda de poder de compra!

Segundo a Comissão Europeia os salários nominais no ano passado, aumentaram 2,4 por cento, (estas contas valem o que valem, são as tais médias, o meu aumento -nominal e real -foi de 1,5 por cento, nos dois últimos anos, como reformado) enquanto em 2005 foi de 2, 9 por cento, não chegaram pois a cobrir a evolução dos preços ao consumo.

Toca pois a esticar o salário! Ah a taxa de juro da Euribor aumentou mais uma vez, vem aí um novo aumento nas prestações da casa.

2 – Portugal volta a ter a menor taxa de crescimento da economia de todos os países da União Europeia. Para o ano, segundo as estimativas, vai ser igual, apenas a Itália pode disputar connosco o último lugar. Também o défice público continua a ser excessivo, apesar das medidas de contenção (que apenas atingem os trabalhadores) . Por outro lado, a União Europeia não acredita que o Governo vá baixar as receitas do Estado apesar de estar inscrito no orçamento de Estado. Fica a dúvida; o Governo irá baixar os impostos, como desejaria (estamos a dois anos das eleições)?

3 – As exportações são o factor que mais influencia o crescimento da economia nacional. Portugal continua contudo a ter dificuldades em elevar ou mesmo manter as cotas de mercado conquistadas nos países, seus Clientes. Apesar de uma melhoria nas exportações, os outros países continuam a ter melhores desempenhos o que equivale a dizer que Portugal, neste domínio, em termos comparativos, continua a ter um registo negativo. Os nossos empresários precisam de alargar os seus horizontes e ter uma visão mais audaz e mais periférica do negócio.

4 – A vida continua difícil para os portugueses. Os mais pobres …entenda-se. E também a classe média.