Telecomunicações privadas e o serviço público

Os reformados e pensionistas com rendimentos inferiores ao salário mínimo nacional, beneficiam de um desconto no aluguer telefónico de 60 por cento, sendo que o governo suportava metade da taxa e a Portugal Telecom 10 por cento mais um crédito de tráfego telefónico até aos 2,3 euros.

O governo Sócrates acabou em 2007 com a subvenção, na ordem dos 18 milhões de euros, estando a Portugal Telecom, até ao momento, a suportar o custo por inteiro, sem que resulte prejuízo para os beneficiários.

A Anacom (Autoridade Nacional de Comunicações) pretende que a Portugal Telecom, mantenha o benefício e sustente na totalidade o custo do benefício aos seus clientes e aos clientes de outros operadores o que não é aceite pela Portugal Telecom.

Confesso que não percebo nada. Num cenário de liberalização do sector presumia que passados tantos anos sobre a privatização da Portugal Telecom e com novos operadores activos no mercado, as regras fossem iguais para todos os concorrentes.

Enganei-me. Há operadores e operadores. A Novis, a Oni, a Tele2 e outros, podem ter clientes em condições particulares (reformados e pensionistas com benefício telefónico), sendo um outro, a PT, a suportar as condições especiais, no caso os descontos no aluguer telefónico!

Alguém é capaz de comentar este disparate?

Por um lado, Sócrates, de mansinho, sem ninguém dar por isso, como se não fosse nada com ele, retira um benefício, por outro, o regulador, sem explicação, concede aos novos operadores, uma vantagem competitiva, ao permitir a captação de novos clientes, limpos de custos de manutenção da linha.

Não está em causa o justo benefício aos reformados e pensionistas. Até consigo perceber que o Estado, por si, se descarte dessa responsabilidade social, desde que a impute aos outros. É claro para mim que a prestação deste benefício, deve ser uma obrigação, como serviço de relevante e universal interesse público, assim como deveriam ser outros, como a electricidade, as águas e até o acesso à Internet. O que não percebo mesmo é porque apenas um operador e não todos, num mercado liberalizado, insisto, tem estas restrições, não se percebendo, ainda, porque a esse operador, não se permite, a apresentação de outras alternativas tarifárias, eventualmente, até melhores.

Que raio de liberalização é esta? Sócrates, uma vez mais, parece que nada tem a ver com isto. O ministro da tutela que explique.

Eu votaria em Sá Fernandes

jsf.jpg

Se votasse em Lisboa votava em Sá Fernandes, concorresse numa lista própria ou apoiada por qualquer partido político. Ao concorrer sobre o símbolo do Bloco de Esquerda, com o apoio do Partido da Terra, dos Renovadores Comunistas, e do movimento Lisboa é gente, José Sá Fernandes fica bem acompanhado.

Com Sá Fernandes, o país ficou a saber o que se passava em Lisboa. Com Sá Fernandes ficamos todos a saber que a cidade estava entregue aos interesses e à corrupção. Com Sá Fernandes ficamos a conhecer a verdade. Com Sá Fernandes ficamos a saber que há pessoas honestas, integras, desinteressadas e empenhadas civicamente.

Sá Fernandes um vereador sem pelouros, cumpriu o papel de oposição que lhe estava reservado; o de fiscalizar dos actos do executivo. Mas foi mais longe:

Denunciou os negócios da Bragaparques e a tentativa de corrupção; a má gestão e indícios de corrupção da EPUL que levou à intervenção da judiciária; denunciou a paralisia das bibliotecas municipais; chamou a atenção para as irregularidades (e o atraso) no túnel do Marquês, o atraso no túnel do Rossio; a desorientação política na elaboração do PDM; denunciou a não aplicação das propostas aprovadas de reabilitação dos bairros camarários; denunciou pagamentos de trabalhos não aprovados, como os ramais de acesso ao estádio do S.L.Benfica no valor de mais de 8 milhões de euros; apresentou queixa por tráfico de influências ao Ministério Público, pelo empreendimento da Marvila ao arrepio do PDM; denunciou erros urbanísticos, construções desadequadas como parques de estacionamento; denunciou as mentiras do presidente da Câmara, sobre os terrenos do parque Mayer e de avançar com projectos à revelia dos pareceres técnicos como o de Estefanea Plaza; denunciou o concurso de Urbanização do Vale de Santo António e os prémios, indevidamente, atribuídos aos administradores da EPUL; denunciou a contratação de funcionários (militantes do PSD) para empresas públicas como a Gebalis; denunciou os negócios que conduziram à aprovação de um loteamento que colide com o TGV e beneficia Luís Filipe Vieira que comprou esses terrenos à Petrogal, etc. etc.

Sá Fernandes não se conformou com “uma cidade que se desertifica, que vive ao sabor da especulação imobiliária e que não tem planeamento estratégico, onde a corrupção impera, o espaço público é desprezado, a exclusão social prolifera e o caos urbanístico está instalado” e apresentou propostas:

Um plano verde para Lisboa (ver vídeo), aprovado por unanimidade; salas de injecção assistida; plano de reabilitação dos bairros camarários; um estudo de uma rede de eléctricos rápidos de superfície em Lisboa (aprovado por unanimidade); propostas sobre o IMI; promoveu debates sobre práticas urbanistas e problemas de Lisboa, conferências internacionais sobre integração e urbanismo; fez aprovar que os novos loteamentos e nova construção ou reabilitação em Lisboa reservem uma quota das respectivas áreas para a habitação a custos controlados, etc. etc.

Mais e melhor? Em dois anos não era possível.

Por fim, Sá Fernandes, embora com um lugar garantido como vereador (embora não haja votos antecipados é inimaginável outra possibilidade), disponibilizou-se para uma coligação de toda a esquerda, sem regatear lugares, depois falhada aquela, com Helena Roseta, abdicando do primeiro lugar, mostrando com esta atitude, o seu desapego ao poder, a sua fibra, a dedicação e a honestidade de quem se entregou a Lisboa com espírito de missão e mostrou-nos também, por outro lado, os interesses mesquinhos das outras candidaturas.