Era estranho mas não estranhava, vindo de onde vinha. Afinal Marques Mendes, há uns bons anos, era conhecido na PT, aqui para o Minho, como um dos homens com mais poder de influência na Portugal Telecom, alguém por quem, vá saber-se porquê, as chefias intermédias, cultivavam o respeitinho. Era o tempo de Cavaco Silva no governo.
Estava eu a ler a notícia no Público e a não me surpreender com o à vontade com que Marques Mendes, porventura, julgando-se naqueles tempos, reenvia um e-mail, “para os devidos efeitos”, ao gabinete do actual Presidente da PT, chegado às suas mãos por intermédio de um grupo económico, de nome FIX, um grupo empresarial da área de engenharia e telecomunicações, a reclamar da revisão de contratos, outrora concedidos, presume-se que em concurso, ou mais provavelmente, por “ajuste directo”, como durante tantos anos foi prática na PT, para a adjudicação de trabalhos, e em consequência dos quais, ajustes directos ou de capciosos concursos, promoveram algumas empresas, umas duas ou três, permitindo-lhes ganhar rios de dinheiro.
Estava a ler e estava a pensar. Uma das empresas de que mais se falava dos benefícios da interferência (ou influência) de Marques Mendes era uma (no inicio) pequena empresa, o Painhas & Arieira, ora senão quando, logo a seguir, na linha da notícia, pela boca do próprio Marques Mendes, venho a saber que o homem é o Presidente da Assembleia Geral da Painhas, SA (Painhas, SA? Espera aí aqui à coisa … pois é, investiguei e este Paínhas é o mesmo Painhas … do Painhas & Arieira. Ora toma!
Mas o curioso disto é que Marques Mendes, declarando, por causa das más-línguas, que não “conhece(o) em si, o grupo económico, FIX”, sabe que a Painhas, SA é uma empresa participada, do grupo FIX. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, procura dizer Marques Mendes, mas afinal uma coisa tem mesmo a ver com a outra e por isso se compreende que Marques Mendes tenha, agora como dirigente partidário, provável próximo primeiro-ministro, para a Painhas, SA, intercedido, dizendo que não intercede, num negócio particular entre a Portugal Telecom e a FIX.
Quem parece não ter gostado nada disto foi o Presidente da PT, Henrique Granadeiro, pela interferência nos negócios e pelo conhecimento “de informação privilegiada da empresa” por parte de Marques Mendes.
Parece que Henrique Granadeiro teria manifestado a intenção de proceder à abertura de um processo interno de averiguações. Se este processo de averiguações fosse sério, aconselharia a recuar uns anos e decerto iria apurar, a quantidade enorme de negócios ruinosos e processos muito sombrios, envolvendo alguns políticos e muitos dirigentes da empresa PT.


