1 – O PS apareceu depois de assegurada a vitória, nos discursos, nas bandeiras e nos gritos dos militantes. Antes havia apenas o candidato António Costa. O PS tinha receios (infundados) das repercussões da governação. Percebe-se. António Costa não ganhou agora. Agora, quem ganhou foi o PS. António Costa só vai ganhar daqui a dois anos. Por isso vai governar sozinho. Depois dirá que é preciso uma maioria para governar Lisboa. E os lisboetas vão dá-la. Apesar da mentira. Uma vergonha a presença de pessoas vindas do Minho e Alentejo, pagas pelo partido ou pelas autarquias, para festejar a vitória do PS … em Lisboa. Isto é fascismo!
2 – Carmona gritou vitória mas perdeu as eleições. Carmona era o presidente eleito com 42,7% dos votos e agora teve 16,7%. Mesmo assim teve mais votos do que merecia. Carmona e a sua equipa têm uma estratégia. Encostar-se ao PS para inviabilizar uma auditoria aos serviços da Câmara e das empresas municipais e apenas isso. Para não se descobrirem todos os podres. Vamos ver qual irá ser a estratégia do PS. Está muita coisa em jogo em especial na frente ribeirinha e todos os apoios contam, pensará o PS.
3 – O PSD foi o descalabro. Perderam 80 000 votos. Ficaram atrás de Carmona. Marques Mendes fez o que podia. Demitiu o Carmona e escolheu quem se disponibilizou. Por aí nada a dizer. A lição é que os apoios afirmam-se ou retiram-se pelo mérito ou demérito da governação e não pela qualidade ou não de arguido. Marques Mendes é um aparelhista e um jogador de interesses e de bastidores. Não tem carisma nem capacidade de liderança. O PSD é um saco de gatos.
4 – A Helena Roseta ficou a meio caminho. Queria ser o Manuel Alegre das presidenciais. Não conseguiu. À primeira quem quer cai. Também Manuel Alegre não seria hoje o Manuel Alegre das presidenciais. Não se é independente porque se é dissidente. É-se nas entranhas mesmo podendo ser membro de um partido. Helena Roseta se tivesse recebido o apoio que reclamou do PS nestas eleições, não seria independente. Conseguiu mesmo assim o voto de muitos eleitores independentes da esquerda. Mais do que eu desejava e esperava. Confesso que não gosto deste tipo de independentes. Talvez precisasse de um emprego. Nas próximas eleições concorre integrada na lista do PS.
5 – A CDU baixou 1,9% e perdeu uns milhares de votos mas garantiu os dois vereadores. A CDU/PCP está condenada a ser assim. Resistir. E vai conseguindo. Já não é mal. A campanha da CDU foi insonsa. Fez os mínimos. Sem um grande programa, sem um grande candidato, bate na tecla certa. A competência, a honestidade, o rigor. O pessoal acredita e é verdade, em regra. De resto é propaganda. Muitas arruadas, muito populismo, discursos generalistas e inconsistentes. Sem chama. A cassete e inconsistência fica demonstrada no discurso final de Jerónimo de Sousa, “O resultado do PS, confirma uma reduzida credibilidade política … pela política anti-social que prossegue no país”. E mesmo assim o PS ganhou as eleições … o que poderia ser dito se tivesse perdido as eleições!
6 – O Bloco de Esquerda também baixou 1,1% e perdeu alguns milhares de votos. O candidato Sá Fernandes não merecia. Merecia mais votos. Fez a melhor campanha, tinha o melhor programa, tinha o melhor candidato. Contudo, apesar de Roseta disputar o seu eleitorado e da campanha orquestrada que a direita e aliados, mais a casta de corruptos lançaram contra ele, conseguiu uma muita boa votação e manter o lugar. Os lisboetas sabem que com ele a corrupção e a manigância não passarão.
7 – O PP desapareceu do mapa e é pena. Perdeu mais de metade dos votos de 2004. Os tipos até são engraçados e não fazem mal nenhum …assim pequeninos. O PP acossado recorreu ao discurso de extrema-direita, mas esse felizmente não tem grande adeptos. O PP só tem algum futuro se voltar a ser CDS.
8 – Sobram os pequenininhos partidos. São mesmo pequenininhos e não trouxeram nada de importante à discussão, ao debate, e às propostas para Lisboa. Deixai-los continuar pequenininhos. Tiveram os votos que mereciam.