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11/01/2009

Pequenos Gigantes I - POSH BOY

A importância dos selos independentes para o punk rock é tão grande que eu não temo dizer que o punk sobreviveu graças a essas pequenas companhias. Por outro lado, os selos independentes ganharam um grande impulso a partir da explosão do fenômeno punk na metade da década de 70. Antes, os lançamentos independentes eram esporádicos e as majors dominavam completamente o mercado fonográfico. Com isso, determinavam o que o público devia ouvir. Imagino a quantidade de boas bandas que jamais conseguiram entrar em estúdio (que eram caríssimos, diga-se de passagem) na época, ou que até gravaram mas não chegaram ao mercado por falta de alguém para prensar e distribuir o trabalho (o Death e o Pure Hell, postados anteriormente, são exemplos).
O fato é que no final dos 70 e início dos 80 surgiram centenas, talvez milhares, desses selos pelo mundo todo e deram suporte para a proliferação do punk. Alguns mais, outros menos, mas todos com importância equivalente. Penso ser impossível registrar a história do punk sem falar de alguns desses selos, o que o FZ começa a fazer a partir de hoje.
Para inaugurar esse tipo de post vou falar do selo californiano POSH BOY, fundado em 1978 por um sujeito chamado Robbie Fields. Na verdade, no início não se tratava de um selo. Fields empresariava o F-Word e a Dangerhouse Records prometera lançar um compacto do grupo, mas faliu antes de cumprir o trato. Então, Fields resolveu lançar o disco por conta própria. Assim, o primeiro lançamento do selo foi o compacto Shut Down do F-Word com a música-título no lado A e mais Out There e Government Official no B, todas ao vivo. Na sequência, saiu o compacto do SIMPLETONES, com as músicas Kirsty Q e Dead Meat, o primeiro de estúdio produzido por Fields.
No início de 79, a Posh Boy lançou a coletânea Beach Blvd, com Rik L Rik (ex-F-Word, acompanhado no disco pelo Negative Trend), The Crowd e Simpletones, um verdadeiro marco do punk norte-americano e mundial. O inesperado sucesso do disco, que inclusive chegou por aqui via Punk Rock Discos, colocou o selo definitivamente no mercado e Fields tentou repetir o feito com outra coletânea, chamada The Siren, com 391, Red Cross e Spittin' Teeth. O disco, porém, não foi tão bem nas lojas. Particularmente, considero este LP mais um clássico. Comprei o vinil na Punk Rock e devo tê-lo ouvido algumas milhares de vezes e não consigo enjoar do maldito!
Depois desses lançamentos iniciais, a Posh Boy colocou uma enxurrada de discos nas lojas e foi responsável pela primeira oportunidade de bandas como Adolescents, Agent Orange, TSOL, Shattered Faith, The Nuns, Black Flag, Channel 3, UXA, entre outras. Outras coletâneas da Posh Boy que ficaram famosas foram os três volumes da Rodney On The ROQ, especialmente o primeiro, que tinha, entre outras, faixas clássicas do Agent Orange (Bloodstains), Adolescents (Amoeba) e Black Flag (No Values) . Rodney é Rodney Bingenheimer, radialista que até apresenta um programa na rádio KROQ, de Pasadena, no ar desde 1976!
No entanto, apesar da evidente importância da Posh Boy, a relação de Fields com as bandas não era tão amigável e tretas devido a pagamentos (ou suposta falta de) de royalties eram constantes. Grupos como Shattered Faith, Social Distortion e TSOL chegaram a processar Robbie Fields.
A fase de ouro do selo durou até 1982, período em que lançou perto de 200 discos entre LPs, compactos e coletâneas. Mas Robbie era apaixonado por música e, aparentemente, um péssimo administrador. Endividada, a Posh Boy ficou quatro anos sem lançar nada. Em 88, voltou à ativa com seis LPs, mas não vingou. A última tentativa de Robbie em ressuscitar o selo foi em 94/95, mas, sem sucesso, desisitiu. Atualmente, mora na África do Sul e a Posh Boy, que ainda detém as matrizes de centenas de discos, vive do licenciamento dos mesmos. Vale a pena visitar o site (http://www.poshboy.com)

Recentemente, Robbie Fields relançou vários discos em formato digital pela Amazon.com. Acesse aqui página da Posh Boy

Robbie Fields (esq) e Rodney Bingenheimer, na capa do fanzine Flip Side especial
que acompanhou a primeira edição da coletânea Rodney On The Roq