Não há nada mais raro hoje em dia do que a disponibilidade para a escuta do outro, do outro como diferença. Tão viciados estamos dentro dos nossos próprios referenciais, dada a nossa formação, ou melhor, deformação de especialistas em pequenas áreas do saber sobre o homem, que não nos tornamos senão prisioneiros, cada um de nós, num pequeno gueto das chamadas ciências humanas.

Lúcia Santaella










GARY TOMS EMPIRE - 7-6-5-4-3-2-1 (BLOW YOUR WHISTLE) - 1974
SEND US A LINK!






É fácil identificar as pessoas que pertencem a “nossa” cultura. Quando você vai a um lugar — qualquer lugar do mundo — e vê que a comida está trancada a sete chaves, sabe que está entre membros da nossa cultura. Podem ter diferenças extremas em questões relativamente superficiais — forma de se vestir, costumes conjugais, festas que celebram, e assim por diante. Mas, quando se trata da mais fundamental de todas as coisas — conseguir comida para manter a vida —, são todos iguais. Nesses lugares, toda a comida pertence a alguém e, se você quiser um pouco dela, vai ter de comprá-la. É o que se espera nesses lugares; os membros da nossa cultura não conhecem outra forma de viver.

Transformar a comida numa mercadoria a ser possuída por alguém foi uma das grandes inovações da nossa cultura. Nenhuma outra cultura da história trancou a comida a sete chaves — e a posse de comida é a pedra fundamental da nossa economia, pois, se ela não estivesse sob sete chaves, quem iria trabalhar?

Daniel Quinn


DOWNLOAD: AIRTO - FREE - 1972
http://rapidshare.com/files/119906985/UQT1972_Airto_Moreira_-_Free.rar






Hoje sinto orgulho que dizer que sou inumano, que não pertenço a homens e governos, que nada tenho a ver com a maquinaria rangente da humanidade.

Lado a lado com a espécie humana corre outra raça de seres, os inumanos, a raça de artistas que, incitados por desconhecidos impulsos, tomam a massa sem vida da humanidade e, pela febre e pelo fermento com que a impregnam, transformam a massa úmida em pão, e pão em vinho, e o vinho em canção. Do composto morto e da escória inerte criam uma canção que contagia. Vejo esta outra raça de indivíduos esquadrinhando o universo, virando tudo de cabeça pra baixo, e os pés sempre se movendo em sangue e lágrima, as mãos sempre vazias, sempre se estendendo na tentativa de agarrar o além, o deus inatingível: matando tudo ao seu alcance a fim de acalmar o monstro que lhe corrói as entranhas.

Se sou inumano é porque meu mundo transbordou de suas fronteiras humanas, porque ser humano parece uma coisa pobre, triste, miserável, limitada pelos sentidos, restringidas pelas moralidades e pelos códigos, definida pelos lugares-comuns e ismos.

Tenhamos um mundo de homens e mulheres com dínamos entre as pernas, um mundo de fúria natural, de paixão, ação, drama, sonhos, loucuras, um mundo que produza êxtase.

Fora as lamentações! Fora elegias e réquiens! Fora biografias e histórias, bibliotecas e museus! Que os mortos comam os mortos. Dancemos nós, os vivos, à beira da cratera, uma última e agonizante dança.

Sou Inumano, digo isso com um riso louco e alucinado, e continuarei a dizê-lo ainda que chovam crocodilos.

Henry Miller


JANE'S ADDICTION - NOTHING'S SHOCKING - 1988



Os proprietários, os capitalistas, roubaram do povo, pela fraude ou pela violência, a terra e todos os meios de produção, e como conseqüência deste roubo inicial podem subtrair dos trabalhadores, a cada dia, o produto de seu trabalho. Mas esses ladrões afortunados tornaram-se fortes, fizeram leis para legitimar sua situação, e organizaram todo um sistema de repressão para se defender, tanto das reivindicações dos trabalhadores quanto daqueles que querem substituí-los, agindo como eles próprios agiram. E agora o roubo desses senhores chama-se propriedade, comércio, indústria, etc; o nome de ladrões é reservado, todavia, na linguagem usual, àqueles que gostariam de seguir o exemplo dos capitalistas, mas que, tendo chegado muito tarde e em circunstâncias desfavoráveis, só podem fazê-lo revoltando-se contra a lei.

Errico Malatesta


DOWNLOAD: REUBEN WILSON AND THE COST OF LIVING
- GOT TO GET YOUR OWN - 1975
http://rapidshare.com/files/146581183/Reuben_Wilson.zip








Só serei verdadeiramente livre quando todos os seres humanos que me cercam, homens e mulheres, forem igualmente livres, de modo que quanto mais numerosos forem os homens livres que me rodeiam e quanto mais profunda e maior for a sua liberdade, tanto mais vasta, mais profunda e maior será a minha liberdade.

Mikhail Bakunin
















No fundo, sente-se agora que um tal trabalho é a melhor polícia, que retém cada indivíduo pelo freio e que sabe impedir com firmeza o desenvolvimento da razão, do desejo e do prazer da independência. Pois faz despender enorme quantidade de energia nervosa, e subtrai essa energia à reflexão, à meditação, ao sonho, à inquietação, ao amor e ao ódio.

Friedrich Nietzsche





O trabalhador, portanto, só se sente em si fora do trabalho; no trabalho sente-se fora de si. Só está à sua vontade quando não trabalha, quando trabalha não está no seu domínio. Assim, o seu trabalho não é voluntário, mas imposto; é trabalho forçado. Não constitui a satisfação de uma necessidade, mas apenas um meio de satisfazer outras necessidades. A estranheza do trabalho ressalta claramente do fato de se fugir dele como da peste, logo que não exista nenhuma coerção material ou de outro tipo.
Karl Marx

excertos do MANIFESTO CONTRA O TRABALHO - GRUPO KRISIS


THE SWEET VANDALS - 2007
http://www.4shared.com/file/_QLcIJg2/The_Sweet_Vandals_-_2007.htm










Nada é veneno e tudo é veneno;
a diferença está na dose.

Paracelsus












Onze horas,
onze anos de idade,
um botijão de gás
asfixia a criança
que sobe, ligeira, a ladeira
e à força das gravidades
não poderá mais crescer

sete horas,
setecentas cabecinhas
dentro do ônibus sagrado
Rezam sete ave-marias
De sete em sete segundos
E à força das gravidades
Não poderão mais subir

Meia-noite
Brasil do ano dois mil
Explode em artifícios
Camufla o novo holocausto
Sacrifica ao deus-bezerro
E à força das gravidades
Muito sangue há de correr

Sim, nós temos super-heróis
Só não estão na TV
Nem nas áreas de lazer
Em qualquer dificuldade
Em caso de overdose
E à força das gravidades
Chamem o Batmam!

França


EVERLAST - WHITEY FORD SINGS THE BLUES - 1998
http://www.mediafire.com/?coavxnlk1js






A Natureza nem sempre existiu. Ela não é encontrada nas profundezas da floresta, no coração do puma ou nas canções dos pigmeus; ela é encontrada nas filosofias e nas imagens construídas de seres humanos civilizados. Linhas aparentemente contraditórias são tecidas juntas criando uma natureza como uma construção ideológica com o propósito de nos domesticar, suprimir e canalizar as nossas expressões de natureza selvagem.

Feral Faun









DOWNLOAD: PINK FREUD - SORRY MUSIC POLSKA - 2003 - 192 Kbps

PEDAGOGIA LIBERTÁRIA

Nas ditaduras, o poder é tomado pelas armas, pela fome e pela morte. O capitalismo se utiliza da democracia para chegar ao poder pela compra dos votos e pela corrupção da Justiça. De qualquer modo, sempre há autoritarismo e violência na gênese do poder.

No entanto, a manutenção do poder de Estado nas ditaduras ou nas democracias capitalistas é garantida não mais diretamente pelas armas e pelo dinheiro. Vem sendo garantida pela família e pela escola, por meio da pedagogia autoritária, apoiada e estimulada pelo Estado autoritário.

Wilhelm Reich dizia que "a família burguesa capitalista espelha e reproduz o Estado". O mesmo se pode dizer das escolas onde também se pratica a pedagogia autoritária. Educadas dessa maneira, as crianças e os jovens tornam-se obedientes e submissos aos pais, aos professores e ao Estado.

Em verdade, tanto a pedagogia doméstica quanto a escolar, quando autoritárias, visam reprimir nas crianças e nos jovens o sentimento e a necessidade da liberdade como condição fundamental da existência. Sem esse sentimento e sem essa necessidade, desaparecem nas pessoas o espírito crítico e o desejo de participação ativa na sociedade. São os dependentes. Desgraçadamente, a maioria.

Na vida familiar, três são as armas principais da pedagogia autoritária: primeiro, o pátrio poder (os filhos devem obedecer aos pais, por lei, até a maioridade), o que é um abuso e uma violência tornados legais; segundo, o amor, sentimento natural de beleza e gratidão que os pais transformam em instrumento de dominação e de posse sobre os filhos, fazendo com que se submetam às suas vontades chantagísticas, usadas para não sentirem a dor do remorso e do abandono; terceiro, pela dependência dos filhos ao dinheiro dos pais e pela ameaça, também chantagística, de afastá-los de casa sem nenhum recurso financeiro.

Crianças que foram educadas sob uma destas três formas (ou sob todas) de autoritarismo entram na escola já deformadas e facilmente projetam nos professores o poder dos pais sobre si. Não conseguem criticá-los e, se o fazem, não transformam a crítica em ação, a não ser contra si mesmos, tornando-se indiferentes ao conhecimento e apresentando baixo rendimento escolar.

Homens e mulheres criados no ambiente familiar e escolar autoritários são os que garantem a manutenção das ditaduras e do capitalismo, bem como as falsas democracias. Eles "espelham e reproduzem o Estado", são pessoas neuróticas, fracas, despreparadas, incompetentes e impotentes para a vida pessoal plena e social satisfatória. Servem apenas para se submeter, obedecer, entrar em linha de montagem na produção, ser massificadas pela mídia e votar a favor dos poderosos, mostrando-se indiferentes, se conseguem um trabalho que os sustente, à miséria da maioria. Como conseguiu estudar ou trabalhar no sistema, pode suportar, indiferente, a convivência com os setenta milhões de conterrâneos que vivem na mais completa miséria.

Diante de um quadro desses, torna-se necessário, absolutamente indispensável, refletir sobre a possibilidade de interferência no sistema político burguês capitalista, especialmente sobre a sua pedagogia autoritária. É urgente descobrir alguma forma de atuação libertária em todos os níveis, desde as creches, passando pelas escolas primárias e secundárias, chegando, por fim, à universidade.

Roberto Freire





Bombardeio de Hiroshima e Nagazaki: o maior atentado terrorista de todos os tempos





Muitas vezes ouvimos que os pobres são gratos à caridade. Alguns o são, sem dúvida, mas os melhores entre eles jamais o serão. São ingratos, descontentes, desobedientes e rebeldes - e têm razão. Consideram a caridade uma forma inadequada e ridícula de restituição parcial, uma esmola, geralmente acompanhada de uma tentativa (impertinente) por parte do doador de tiranizar a vida de quem a recebe. Por que deveriam sentir gratidão pelas migalhas que caem da mesa dos ricos? Eles deveriam estar sentados nela e agora começam a percebê-lo.

Quanto ao descontentamento, qualquer homem que não se sentisse descontente com o péssimo ambiente e o baixo nível de vida que lhe são reservados seria realmente muito estúpido. Qualquer pessoa que tenha lido a história da humanidade aprendeu que a desobediência é a virtude original do homem. O progresso é uma conseqüência da desobediência e da rebelião.

Não consigo entender como alguém que tem uma vida medonha graças a leis absurdas possa ainda concordar com a sua continuidade. Entretanto, a explicação não é difícil. A miséria e a pobreza são de tal modo degradantes e exercem um efeito tão paralizante sobre a natureza humana que nenhuma classe consegue realmente ter consciência do seu próprio sofrimento. É preciso que outras pessoas venham apontá-lo, e ainda assim muitas vezes não acreditam nelas.

É por isso que os agitadores são necessários. Sem eles, em nosso estado imperfeito, a civilização não avançaria.

Oscar Wilde



DJ CAM - SUBSTANCES - 1996
http://depositfiles.com/files/njjtm9y0x








Para cada ato esclarecido da história humana, houve sempre um milhão de atos prejudiciais à raça, em virtude da estupidez, da preguiça, do raciocinio falho, do esquecimento, do orgulho, do preconceito, da malícia. De outro modo, como explicar a lentidão desalentadora do progresso humano?

Walter B. Pitkin










DOWNLOAD: THE BAR-KAYS - GOTTA GROOVE - 1969





A nossa vida é o assassinato pelo trabalho, durante sessenta anos ficamos enforcados e estrebuchando na corda, mas não a cortamos.

Georg Büchner



















O objetivo dos governos é sempre o mesmo: limitar o indivíduo, domesticá-lo, subordiná-lo, subjugá-lo.

Max Stirner












DOWNLOAD: THE FREE POP ELECTRONIC CONCEPT
- A NEW EXCITING EXPERIENCE - 1969
http://www.mediafire.com/?7mtpwvo4lnh









Os escravos do século XXI não precisam ser caçados, transportados e leiloados através de complexas e problemáticas redes comerciais de corpos humanos. Existe um monte deles formando filas e implorando por uma oportunidade de trocar suas vidas por um salário de miséria. O "desenvolvimento" capitalista alcançou um tal nível de sofisticação e crueldade que a maioria das pessoas no mundo tem de competir para serem exploradas, prostituídas ou escravizadas.

Luther Blisset



DOWNLOAD: OS MUTANTES - EVERYTHING IS POSSIBLE
http://www.4shared.com/file/42068325/48c168bd/everythingispossibleMUT.html

A INUTILIDADE DAS LEIS





A um exame atento, as milhares de leis que existem para regular a humanidade parecem estar divididas em três categorias principais: proteção da propriedade, proteção dos indivíduos e proteção do governo. Analisando cada uma destas categorias, chegamos a uma única e inevitável conclusão, lógica e necessária: a inutilidade das leis.

A metade das nossas leis - o código civil de cada país - não serve a qualquer outro propósito senão o de manter a propriedade, este monopólio em benefício de determinados indivíduos em detrimento de toda a humanidade. Três quartos das causas julgadas pelos tribunais não são nada mais do que disputas entre monopolistas - dois ladrões lutando pela posse do produto de seus roubos. E muitas das nossas leis criminais têm o mesmo objetivo em vista, tendo sido criadas para manter o trabalhador numa posição de subordinação em relação ao patrão, proporcionando a segurança necessária para que a exploração continue.

Como todas as leis sobre propriedade não têm qualquer outro objetivo senão o de proteger a apropriação injusta, garantir que certos indivíduos se apropriem indevidamente do trabalho de outros seres humanos, não há nenhuma razão que justifique a sua existência. Nada mais justo do que fazer-se uma grande fogueira ao ar livre lançando nela todas as leis que tratassem dos assim chamados "direitos de propriedade", todos os títulos de propriedade, todos os registros e escrituras: em uma palavra, tudo aquilo que tivesse qualquer ligação com uma instituição que logo será vista como uma nódoa da humanidade, tão humilhante quanto a escravidão ou o servilismo de outras épocas.

As observações que acabamos de fazer a respeito das leis sobre a propriedade poderiam ser aplicadas também à segunda categoria de leis: aquelas destinadas a manter os governos, ou seja, as leis constitucionais. É outra vez um arsenal de leis, decretos, disposições, decisões de conselhos e o que mais houver, criados com o fim de proteger as diversas formas de governo. Sabemos bem que a missão de todos os governos é proteger e manter, através da força, os privilégios das classes dominantes - a aristocracia, o clero e os comerciantes. Mais de um terço de todas as leis que existem - cada país tem milhares delas que regulam os impostos, as taxas, a organização dos departamentos ministeriais e suas repartições, as Forças Armadas, a Polícia, a Igreja, etc. - não tem qualquer outro objetivo senão manter, remendar e desenvolver a máquina administrativa. E esta máquina, por sua vez, funciona quase que exclusivamente para proteger os privilégios da classe dominante. Analise estas leis, observe-as em ação no dia-a-dia e descobrirá que nenhuma delas merece ser preservada.

Resta considerar a terceira categoria, aquela que diz respeito à proteção dos indivíduos e ao combate e prevenção do "crime", que desfruta de uma certa consideração especial em conseqüência da crença de que este tipo de lei é absolutamente indispensável à manutenção da segurança em nossas sociedades.

Essas leis, criadas a partir das práticas mais úteis às comunidades humanas, foram mais tarde aproveitadas pelos governantes como um dos meios para justificar sua própria dominação. Em primeiro lugar, quanto aos assim chamados "crimes" - assaltos contra pessoas - é sabido que pelo menos 2/3 e freqüentemente 3/4 deles são instigados pelo desejo de apossar-se da fortuna alheia. Esta imensa classe de "crimes e delitos" desaparecerá no dia em que a propriedade privada deixar de existir.

Além do mais, é também sabido que o medo do castigo nunca impediu que qualquer crime fosse cometido. Aquele que mata seu vizinho, por vingança ou miséria, não pensa muito nas conseqüências.

Somos continuamente lembrados dos benefícios que a lei confere e dos efeitos benéficos do castigo, mas terão aqueles que nos falam tentado alguma vez fazer um balanço entre os benefícios atribuídos às leis e castigos e os efeitos degradantes que esses castigos tiveram sobre a humanidade? Tente calcular todas as perversas paixões que os atrozes castigos infligidos em nossas ruas despertaram na humanidade. O homem é o animal mais cruel que existe na face da terra. E quem terá estimulado e desenvolvido esses instintos cruéis, desconhecidos mesmo entre os macacos, senão o rei, o juíz e os padres apoiados em leis que permitiam que a pele fosse arrancada em tiras, o breu fervente derramado sobre as feridas, os membros arrancados, os ossos esmagados, os homens despedaçados para que sua autoridade fosse mantida? Tente avaliar a torrente de depravação libertada entre a sociedade humana pela política de delação encorajada pelos juízes e paga em dinheiro vivo pelos governos, a pretexto de auxiliar na descoberta de "crimes". Basta apenas que entre nas prisões e veja no que se transforma um homem privado da liberdade e encerrado com outros seres depravados, mergulhados no vício e na corrupção que escorre das próprias paredes das nossas prisões. Finalmente, basta lembrar da corrupção e depravação que existem entre os homens, alimentadas pela idéia da obediência - que é a própria essência da lei - da punição; da autoridade arrogando-se o direito de punir, de julgar sem considerar nem a nossa consciência, nem a estima de nossos amigos; da necessidade de que hajam carrascos, carcereiros e informantes - em uma palavra, de todos os atributos da lei e da autoridade. Pense em tudo isto e certamente concordará conosco quando afirmamos que uma lei que inflige punições é uma abominação que deveria deixar de existir.

Povos sem organização politica e, portanto, menos depravados do que nós, entenderam perfeitamente que o homem a quem chamam de "criminoso" é simplesmente um infeliz; que a solução não é açoitá-lo, acorrentá-lo ou matá-lo no cadafalso ou na prisão, mas ajudá-lo como a um irmão, dispensando-lhe um tratamento baseado na igualdade e nos costumes em vigor entre os homens honestos. Na próxima revolução, esperamos que o grito de guerra seja: "Queimem as guilhotinas, destruam as prisões, expulsem os juízes, os policiais e os informantes; tratem como a um irmão o homem que foi levado pela paixão a praticar o mal contra seu semelhante; e, sobretudo, retirem dos ignóbeis produtos da ociosidade da classe média a possibilidade de exibir seus vícios sob cores atraentes, e estejam certos de que apenas uns poucos crimes violentos virão perturbar a nossa sociedade".

Os principais incentivadores do crime são a ociosidade, as leis e a autoridade que toma a seu cargo a criação e aplicação destas leis.

Chega de leis! Chega de juízes! Liberdade, igualdade e solidariedade humana são as únicas barreiras efetivas que podemos opor aos instintos anti-sociais de alguns seres que vivem entre nós.

Peter Kropotkin


BRONX RIVER PARKWAY - SAN SEBASTIAN 152 - 2009
http://depositfiles.com/files/nlpvzudp1