Etiquetas
Segundo o ME, através dos seus secretários de Estado, o PS, através do seu porta-voz e a Confap, através do seu presidente, os alunos que esta semana se manifestaram (em diversos casos de uma forma arruaceira e anti-democrática), terão sido instrumentalizados por “terceiros incertos”.
Que se saiba, até ao momento nenhuma destas entidades apresentou queixa formal contra estes “terceiros incertos” nas instâncias judiciais adequadas à investigação de um crime, que é o que configura uma eventual instrumentalização de menores com objectivos pouco claros.
No entanto todos estes actores se multiplicaram em declarações nos OCS, lançando na opinião pública a insinuação de quem esses “terceiros incertos” serão os que se posicionam contra as políticas educativas do governo PS.
Curiosamente, no dia em que várias cidades do país foram surpreendidas com manifestações de alunos, que se traduziram em encerramento de escolas e manifestações em frente a diversos organismos públicos, o tratamento jornalístico do assunto foi absolutamente diferente nas três televisões generalistas, emitidas em sinal aberto.
Na TVI (normalmente acusada de sensacionalismo) a notícia destes eventos apareceu já com mais de 20 minutos de jornal nacional.
Na SIC o assunto apareceu um pouco mais cedo, cerca dos 15 minutos de emissão.
Na RTP1, canal público, foi notícia de abertura, tendo o assunto “educação” ocupado os primeiros 14:40 do Telejornal, com a seguinte distribuição:
Os primeiros 8:10 incluiram reportagens junto de escolas onde houve disturbios, em que “curiosamente” todos os entrevistados referiram o apoio dos professores às manifestações dos alunos;
Em seguida, durante 2:08 fez-se uma ligação subliminar entre os protestos dos alunos e a avaliação dos professores;
Os 2:12 seguintes foram dedicados à determinação do 1º ministro em governar, sem se preocupar com os votos que possa perder, por contraponto com algumas preocupações de outros socialistas com as próximas eleições;
O senhor Presidente da República teve direito aos 52 segundos seguintes, para condenar as arruaças e fazer um apelo à concertação entre todos os intervenientes no processo educativo;
Finalmente, durante 1:22 foi dada a palavra à “oposição” representada pelo lider do CDS.
Com este tipo de tratamento jornalístico, a pergunta que é preciso fazer é: que vantagens trazem para a luta dos professores estas manifestações,que transformam os algozes que nos governam em vítimas de uns perigosos manipuladores de criancinhas?
Até apetece glosar o ex-seleccionador de futebol, Luis Filipe Scolari: «E o burro sou eu?»