Um alienígena que aterrasse nos últimos dias em Portugal ficaria convencido de que entre PS e PSD, através dos respectivos líderes, se trava uma batalha política a sério.
Quem ouvir as intervenções de Sócrates e não tiver qualquer memória do que têm sido as políticas de desmantelamento da segurança social, da saúde e do ensino público, com constantes medidas de protecção dos agentes de mercado e das parceiras público-privado, que garantem o lucro para o capital e o prejuízo para a fazenda nacional, até é levado a acreditar que estamos perante o campeão da esquerda portuguesa, quiçá o maior marxista português do século XXI.
Infelizmente, para quem acredita que o Estado tem que estar ao serviço de todos os cidadãos (em especial dos mais desprotegidos socialmente), a luta de galos entre Sócrates e Passos Coelho não passa disso mesmo – saber quem mandará na capoeira, que para eles é o país.
No fundo, o que ambos esperam que aconteça é que os portugueses continuem desatentos e acreditem na utilidade de votar num ou noutro. Afinal, a coutada em que os seus partidos transformaram o país, desde 1976, só passará a ser de todos nós quando os portugueses perceberem que para mudar não podemos repetir o mesmo erro de sempre: confiar apenas no centrão.
