"E quando silencio, teu amor me nina na canção das estrelas" (Sonya Azevedo)

 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Exílio


 Exílio

Na beira dessas mais de mil lembranças.
Sento-me. Areias tão molhadas... pranto
Desta alma que ora dista de seu canto,
Canto da terra que o olhar não alcança!

Poder que essa saudade tem: brisança!
Dos cacos da memória faço um manto
Sagrado, abrigo em lúgubre acalanto,
Onde o seio na dor, apenas dança.

Ah, exílio! Dor no cheiro desse mar
Que entranha na alma e a tudo anestesia...
Cheiro de uma saudade! Tanto amor

No chão da pátria, terra no além mar, 
Que hoje reverencio em poesia,
Para abrandar toda esta minha dor!

(Sonya Azevedo)

domingo, 26 de outubro de 2025

Ventos em Fúria


Ventos em Fúria

Céu e mar em fusão co' a negrejante
Tormenta, isolam das mi' as turvas vistas
O perenal, que, sendo um alquimista,
Dá fúria ao vento, em grito lancinante.

O mar, co' o vento, faz-se em par dançante
E torna os nimbos seus protagonistas
Nessa apresentação tão anarquista,
Num palco aberto, em fúria horripilante.

Feixes de fogo riscam altos véus
Lançando brasas, brumas do conflito,
Enquanto o tempo bebe em seus troféus.

E eu, no porão de mim, absorto e aflito,
Sou grão de areia em meio ao escarcéu,
Que vê no caos um sopro mais bendito.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Receita de Poesia



Hoje, aurora me traz olor de bolo!
Bolo de poesia, é evidente.
Então, começo pelo ingrediente
E um soneto, disponho-me a compô-lo.

Separo, assim, as rimas, meu consolo
Nesta aventura dita entorpecente.
Tendo uma métrica, ora, sigo em frente,
Catando ritmo pra deixar carolo.

Com quatorze colheres, dessas médias,
Crio um enredo, uma tragicomédia,
Onde à saudade, a redenção, prometo.

Então, esquento o forno pras ideias
Assarem; logo, adoço com geleia
Real e o resfrio. Pronto, eis o Soneto!