12 February 2026

Evidentemente
"Secret Love (Concealed in a Drawing of a Boy)" (legendas disponíveis)
 
(sequência daqui) Musicalmente, a banda oferece uma estrutura tensa e discreta que dá espaço para as palavras de Shaw respirarem. A música acumula lentamente tensão através de insistências e mudanças subtis. Este minimalismo reflecte o conteúdo emocional: os sentimentos não explodem para fora, mas pressionam para dentro, contidos dentro de limites estreitos. O que torna Secret Love particularmente magnético é a música não se resolver numa narrativa clara ou numa conclusão emocional. Não há nenhuma grande confissão, nenhuma reviravolta dramática. Em vez disso, ela termina da mesma forma que começa, deixando-nos suspensos na ambiguidade. A narradora parece cercada por linguagem, referências e estímulos, mas ainda assim instalada nos seus próprios pensamentos. (segue)

09 February 2026

(com a colaboração do correspondente do PdC em Pequim)
"Let Me Grow and You'll See The Fruit" (legendas disponíveis) 
 
(sequência daqui) Aí germina uma sensação de intimidade paradoxal: sentimo-nos próximo dela, mas sempre mantidos seguramente à distância. Ela não canta no sentido convencional; ela relata, enumera e narra. Em “Secret Love”, por exemplo, soa como alguém que pensa em voz alta, mas escolhendo cuidadosamente quais pensamentos são seguros para revelar. O próprio título implica ocultação e contenção, e a performance incorpora essa ideia. As guitarras são limpas e repetitivas, muitas vezes presas a loops simultaneamente reconfortantes e claustrofóbicos. As linhas de baixo, potentes e propulsoras, escoram as canções e conferem-lhes um sentido de movimento. Tudo parece girar em torno de algo imposível de nomear. A lenha para a fogueira é constituida por fragmentos da vida quotidiana, monólogos internos e imagens fugazes. (segue para aqui)