A MeNiNa CLaRa, CLaReou Meu Dia

Ontem, tive a grata satisfação de escutar o texto – Mulheres Negras do Facção Central, declamado por uma das lindas alunas, Clara, que estavam presentes no evento – 5º Seminário das relações étnicos-raciais, promovido pela Metropolitana IV – SEEDUC/RJ. Belo momento, quando a menina lia entre as suas lágrimas. Foi forte.

Dedicado a todas as minhas alunas que lutam, diariamente, para serem ouvidas e vistas como ser que faz parte dessa sociedade.

Mulheres Negras
Eduardo – Facção Central

Enquanto o couro do chicote cortava a carne,
A dor metabolizada fortificava o caráter
A colônia produziu muito mais que cativos,
Fez heroínas que pra não gerar escravos, matavam os filhos
Não fomos vencidas pela anulação social
Sobrevivemos à ausência na novela, no comercial
O sistema pode até me transformar em empregada,
Mas não pode me fazer raciocinar como criada
Enquanto mulheres convencionais lutam contra o machismo,
As negras duelam pra vencer o machismo, o preconceito, o racismo
Lutam pra reverter o processo de aniquilação
Que encarcera afrodescendentes em cubículos na prisão
Não existe lei Maria da Penha que nos proteja
Da violência de nos submeter aos cargos de limpeza
De ler nos banheiros das faculdades hitleristas,
Fora macacos cotistas
Pelo processo branqueador não sou a beleza padrão,
Mas na lei dos justos sou a personificação da determinação
Navios negreiros e apelidos dados pelo escravizador
Falharam na missão de me dar complexo de inferior
Não sou a subalterna que o senhorio crê que construiu
Meu lugar não é nos calvários do Brasil
Se um dia eu tiver que me alistar no tráfico do morro,
É porque a Lei Áurea não passa de um texto morto
Não precisa se esconder, segurança
Sei que cê tá me seguindo, pela minha feição, minha trança
Sei que no seu curso de protetor de dono praia,
Ensinaram que as negras saem do mercado com produtos em baixo da saia
Não quero um pote de manteiga ou um xampu,
Quero frear o maquinário que me dá rodo e URU
Fazer o meu povo entender que é inadmissível,
Se contentar com as bolsas estudantis do péssimo ensino
Cansei de ver a minha gente nas estatísticas,
Das mães solteiras, detentas, diaristas.
O aço das novas correntes não aprisiona minha mente,
Não me compra e não me faz mostrar os dentes
Mulher negra não se acostume com termo depreciativo
Não é melhor ter cabelo liso, nariz fino
Nossos traços faciais são como letras de um documento
Que mantém vivo o maior crime de todos os tempos
Fique de pé pelos que no mar foram jogados,
Pelos corpos que nos pelourinhos foram descarnados
Não deixe que te façam pensar que o nosso papel na pátria,
É atrair gringo turista interpretando mulata
Podem pagar menos pelos mesmos serviços
Atacar nossas religiões, acusar de feitiços
Menosprezar a nossa contribuição na cultura brasileira,
Mas não podem arrancar o orgulho de nossa pele negra
Mulheres negras são como mantas Kevlar,
Preparadas pela vida para suportar
O racismo, os tiros, o eurocentrismo,
Abalam mais não deixam nossos neurônios cativos.

Que é iSSo?

Para o meu amigo, irmão, filho e inspiração Wallace Lopez Espaçólogo
Michel Foucault,
É isso um cachimbo?
Uma pedra?
As meninas de Velásquez em palavras?
O que é isso Michel Foucault?
Nada.

BRoTaÇão uLTRaFeCTuoSa

Ontem, durante o encontro com meus amigos Breno Felipe​, Leonardo Luís​, Matteus Alario​ e Larissa Almeida​, saiu este texto, interpretados por todos, mas que dedico aos meus amigos batalhadores do C.E Hebe Camargo que tem que ouvir muita bobagens, Cristiane Lima Alves​, Rosangela Lannes Cout Cordeiro​ e Daniel Claro​

Brotação ultrafectuosa

Não trago carne
muito menos músculos e calcanhares
nem dores, astroses, achaques

Não trago gotas
muito menos saliva e sabores
nem palavras, piscadas, sinais

Sentidos, alertas, calores
trago como sorriso largo
que belisca o pensamento

Caras e bocas, desvios, almas
trago como passos largos e longos
que apartam brigas internas.

aSSiM São oS PáTioS DaS eSCoLaS XV

Porque hoje foi dia de conversar e debater com meus alunos sobre o cabelo. Muitas meninas e meninos sentem vergonha da sua identidade e não se reconhecem como negros e lindos.

Hoje ouvi muitas dizerem: – professora, meu cabelo é ruim, é duro e é por isso que eu aliso.

Comecei a mudar esse pensamento a partir de dois documentários, mas não é nada fácil. Muito triste o que fazem com eles desde pequenos. Mas não desisirei até que eles percebam que tem talento, valor e uma estética invejável e linda!

Segum os documentários que estão disponíveis no youtube

aSSiM São oS PáTioS DaS eSCoLaS XIV

– Ô Professora!

– Que foi?

– Hoje a parada tá muito sinistra.

– Tá é! Por quê?

– Mataram um policial hoje. Quer vê a foto? E também mataram um bandido. Tem foto dos dois, quevê?

-Não, muito obrigada, pode guardar o celular.

-O policial foi morto lá no outro bairro, mas a polícia tá entrando nas casa de geral daqui

-É?

-Entram na minha hoje, eram cinco polícia, tudo armado, subiram tudo com a arma apontada pra gente, revistaram a casa toda e pegaram o meu celular.

-Por que pegaram o seu celular?

-Pra vê o que tem, se tiver proibidão, vídeo, foto e zap que eles não gostam…

-Eles levam o celular?

-Não, professora, eles quebram, bem quebrado e nós nem pode falar nada. Depois pra comprar outro, como?

-Que coisa!

No outro lado da sala.

-Mas lá em casa num acontece nada disso.

-Não, você também mora aqui?

-Moro, somos vizinhos, mas meu tio é amigo de geral, vive dando festa, e vão todos na festa, os polícia, as milícias e os bandidos, ficam tudo conversando igual amigo. Meu vô que fica boladão, num gosta, mas aceita, assim ninguém mexe com nós.

-Seu tio deve ser muito importante

-Que nada professora só é simpático e geral gosta dele.

No caminho de volta para casa me deparo com inúmeros carros de polícia, fazendo blitz, só paravam os negros nos carros velhos, os das motos e os carrões.

aSSiM São oS PáTioS DaS eSCoLaS XIII

Muito angustiada de ser testemunha desse e nesse século XXI.

 Hoje na escola, depois da aplicação da prova do Saerjinho via um aluno soprando o celular. Pensei: deve ter molhado, ou algo parecido e ele deve estar tentando enxugar. Que nada! Cheguei perto e o menino fumava, um cigarro de maconha virtual.

Perguntei: que é isso? – Um jogo, professora. Continuei: deixa ver.

Daí ele me mostra a tela do celular com um jogo que acontece em várias salas e que tem várias etapas.

1ª etapa enrola  cigarro de maconha, acendo com um isqueiro (também virtual) e traga, isso mesmo, traga onde fica o microfone do celular. Os pontos ganhos vão aparecendo ao lado da tela, quando termina essa etapa, passa-se para uma outra sala, mas até chegar nela, o jogador caminha por corredores ornamentados com folha de maconha e cogumelos.

Na 2ª etapa eu fiquei paralisada, pois o jogador se depara com uma lata de coca-cola, a amassa no meio, faz um furinho com uma tachinha e compra a droga, que agora é o crack, pega o isqueiro, acende e fuma, tragando mais uma vez pelo o microfone, o aluno, colocava a boca mesmo no celular e tragava com vontade.

Como tinha certeza que ninguém acreditaria em mim, chamo o professor que divide a turma comigo e mostro pra ele o tal jogo virtual, o menino já está em outra fase, nessa era a vez de um narguelê verde, sabe-se lá o que tinha dentro

Dessa etapa ele não ultrapassou, ou melhor, não o vimos ultrapassar, porque bateu a sirene do CIEP.  Isso, os CIEPs, têm umas sirenes ensurdecedoras.

Depois fui contar ao diretor o ocorrido, mas durante o caminho da sala até à direção pensava quais seriam as outras etapas e ficava mais angustiada de vivenciar esse século.

Daqui a pouco vão inventar um aplicativo que passa do virtual para a sensação que a droga causa, aí é final dos tempos. O traficante vai vender celular que vicia, haja estômago!

Fabio Costa​ me pediu e eu escrevi um texto sobre primavera, que li no Sarau do C. E. Erich Walter Heine.

Quero dedicá-lo ao meu amigo também professor Marcos Mello​ que me inspirou e a minha prima, Vera Lucia Lima Blanc​.

Primavera

Prima = primeira
Vera = verdade

Estação que antecede o verão.
Primavera lembra Tim Maia – “porque é primavera, te amo, meu amor, trago essa rosa.”

Beto Guedes também passa pela minha lembrança – “quando entrar setembro e as boas novas andar nos campo… A lição sabemos de cor, só nos resta aprender, sol de primavera abre a janela no meu corpo.”

Nerita, minha filha, chegou em plena primavera
Nina, minha neta, chegará em uma primavera plena.

Primavera traz na memória as aulas de história com a Primavera de Praga, uma longa primavera 1968 a 1990. Agora presenciaremos uma Primavera de Pragas, pois viveremos e entraremos a próxima primavera com:

Zica,

Refugiados Sírios distribuídos pelo mundo,

Alemanha abrindo as portas, ou seriam as pernas para parir pessoas que serão mutiladas, posto que escravizadas,

Nada de reajuste salarial para os professores do estado,

Vontade de dizer não à sociedade do espetáculo,

Mais um dia da árvore, em um planeta que as mesmas passam por um processo de extinção,

O eu mais potencializado nas redes sociais,

Os jogadores de futebol brigando por mais espaço na mídia

Jovens negros morrendo a rodo e sem serem afogados em uma praia mediterrânea, mas tentando refugiar-se em uma marquise qualquer,

Crianças indígenas espancada no Mato Grosso do Sul,

Gente dizendo mais do mesmo,

A mídia tentando enganar cada vez mais e mais a população,

Preconceito,

Mais um ENEM

Show do Criolo, Caetano e Gil,

Algum aluno dizendo: professora é pra copiar, posso ir ao banheiro, que horas que acaba essa aula?

Um monte de adolescentes grávidas ou querendo engravidar, porque está na moda é um outro monte querendo fazer um aborto porque não está na moda.

A realidade dos consumidos pela ganância acorda, ou tenta acordar, todos os dias, aqueles que estão dormentes, aqueles que perderam a capacidade do sonho. Muitas vezes lançar-se ao vazio parece ser a solução, ou não. E eu aqui escrevendo um texto primaveril, quando só passa pelos meus pensamentos a Primavera de Praga ou seria, a Primavera de Pragas acontecendo pelo mundo afora.

Recomponha a sua primavera, pois minha prima Vera não nasceu na primavera e adora o inverno.

uM oLHar eQuaToRiaNo SoBRe a CiDaDe

La cara y la cruz de Río de Janeiro – crónica de viaje

Por: Alex Ortiz

Tanto se ha escrito de lo exuberante de la ciudad maravillosa, donde el culto al cuerpo humano se practica en cada esquina y a lo largo de las playas de Leme, Copacabana, Ipanema, Leblon; nombres que nos transportan a paradisíacos paisajes con palmeras, lugares de ocio y esparcimiento. Caminar por sus calles y centro histórico nos lleva atrás en el tiempo cuando su apogeo como capital del Brasil, olía a café y a caña de azúcar. El Cristo Redentor se ve más alto desde esos barrios.

Pero tanto se ha escrito ya de eso……..

Lo que viene a continuación es una crónica de un común viajero que había visto películas y escuchado un poco sobre las favelas del Brasil pero que no había logrado percibir la complejidad de estas micro-sociedades.
La palabra “favela” viene de un tipo de planta que lleva ese nombre, crece en el Nordeste del Brasil, lugar del cual, nace el termino para acuñarlo a este tipo de concentración urbana desordenada, un suburbio como lo conoceríamos nosotros.

Los esclavos nordestinos, practicantes incansables de la Capoeira, cansados de la situación de explotación y de sequía en los años 1896/97, liderados por Antônio Conselheiro, ocupan los alrededores del morro de favela en el actual estado de Bahía y crean la ciudad de Canudos. Pero el ejército brasilero debía retener esa revuelta y soldados masacran a muchos esclavos, triste episodio recordado como “La guerra de Canudos”.

Esos soldados que regresan victoriosos de su hazaña, no reciben el pago prometido y marchan hacia Río de Janeiro a ocupar los alrededores del morro de la Concepción. Debido al parecido con Canudos, se empieza a utilizar el nombre para este nuevo tipo de ocupación desordenada, sin servicios básicos o infraestructura alguna.

Hay quienes utilizan el término para describir asentamientos similares; Mike Davis (2008) en su libro “Planeta Favela” dice que la Franja de Gaza está considerada por algunos como la mayor favela del mundo, en esencia, una aglomeración desordenada de refugiados con 2/3 de su población, sobreviviendo con menos de 2 dólares al día.

Así otras ciudades del mundo presentan características similares, en el caso de América Latina ciudades como: México DF (con la mayor población urbana del mundo); Sao Paulo, Río de Janeiro, Buenos Aires, Lima o Bogotá.

En el caso específico de Río de Janeiro, la violencia y el tráfico de drogas ha tenido en las favelas, la oportunidad para desarrollarse y crecer, existen favelas en que la policía no se atreve a entrar o siquiera pasar sobrevolando con helicópteros ya que han sido derribados antes según los habitantes cuentan.

Algunos habitantes de las favelas hoy en día se sienten cómodos y seguros dentro de ellas ya que los servicios como luz, agua, gas, cable, son más baratos……..pero ……. ¿Por qué?

La explicación está en que quienes controlan cada favela, roban las señales y los equipos de internet, cable, telefonía y lo venden más barato a los habitantes de la favela. Quién no vive ahí no puede entrar porque tiene el riesgo de muerte violenta, y algunas personas no han salido nunca de los complejos porque les parece que no es seguro según ellos.

¿Quién tiene el control de las Favelas?

Existen los traficantes de drogas que se dividen en tres facciones principales y una más que está tomando fuerza (Comando Vermelho, Amigos dos Amigos, Tercer comando y Tercer comando puro) y la llamada Milicia que empezó con el nombre de “Grupo de Exterminio” y son grupos paramilitares conformados por ex policiales y militares que han tomado la opción de cobrar comisiones por las transacciones que se realizan dentro de la favela a cambio de servicios baratos y protección a la comunidad.

La milicia y los traficantes se encuentran siempre en guerra por la conquista del territorio y es posible ver calles con barricadas para impedir el paso de cualquier fuerza ajena a la que prima en ese momento.
Y, ¿qué es lo que pasa con los habitantes de las Favelas?

Ellos ya viven dentro de ese sistema, para muchos no hay opciones de salir adelante, no tienen oportunidades y los niños no tienen deseos de estudiar, pero no es mismo que ellos no quieren sino que no tienen referencia ninguna, de una persona que posea un talento diferente, al de matar, robar, estafar o traficar; niños de 10, 11 años que manejan armas y matan sin escrúpulos.

Alguna referencia tienen en sus profesores o los pastores de las innumerables iglesias, no conocen a nadie más, es un mundo paralelo.
Esa realidad no está tan lejos de nosotros, no somos ajenos, la situación puede ser reproducida en otros países, en su ciudad, ¡si, habitante latinoamericano!, en su ciudad.

Es necesario recalcar a los viajeros, que no todo Río es así, pero es importante saber por donde se camina, con mayor atención que si estuviese en otros lugares, ya que la vida humana en la ciudad maravillosa, tiene uno de los menores precios de Latinoamérica; todos los días muere gente, de cada 3 asesinatos, 2 son de personas negras y muy frecuentemente habitantes de favelas.

Para terminar quisiera tomar las palabras del escritor y columnista brasilero, Luiz Ruffato, refiriéndose a las estadísticas de violencia y a su propio pueblo: “Tal vez tengamos que repensar el carácter del brasilero. Afirmar que los brasileros somos naturalmente alegres y desconocer la insatisfacción permanente que crece entre nosotros en los trenes, en los buses o vagones de metro llenos de gente. Hablar que los brasileros somos tolerantes y desconocer nuestro machismo, nuestra homofobia, nuestro racismo. Decir que los brasileros somos solidarios y desconocer nuestra inmensa cobardía para asumir causas colectivas. En el fondo estamos empujando a la sociedad a un hueco de autismo social sin salida.”
Para explorar más sobre el tema, recomiendo:

1.- Ver la película Tropa de Élite I y II.
2.- Ver la película 400 contra 1 (como nace el Comando Vermelho).
3.- Cuando visite Río, súbase al Teleférico del Complexo Alemão. Vale la pena!

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aSSiM São oS PáTioS DaS eSCoLaS X

O que tem pra hoje?
(Des) vida.

Da janela do Celta já vejo que as barricadas voltaram.

1º Ato

– E ai professora! Suave?
– Suave…
– Tudo dois, é nós. Sabe de uma coisa?
– O quê?
– Já está resolvido.
– O que está resolvido?
– Vou entrar pra boca, pegar um ferro e aloprar.
– Então vai logo, porque de 16 a 20 anos você tem pouco tempo para deixar alguma coisa pra sua família.
– Sociedade injusta pra caralho!
– Muito, e você pensando assim não mudará as injustiças.
– Mas coloco uns otários no seu devido lugar. Nós num tá aqui pra servir de bucha, não.
– Mais um motivo. (Eu rezado para o assunto terminar)
– Sabe de uma coisa professora, a senhora além de ser piloto, porque já vi e dirige muito, tem coração, abraça a gente, trata nós tudo igual, sem diferença, até gosta dos nossos cabelos assim de negão, mas com estilo, né?
– Rindo com ele, gosto mesmo, vocês conseguem fazer uns penteados muito maneiros. Deviam inclusive fazer um portfólio com as fotos dos penteados.
– Port o que? Já vem a senhora falando difícil, exprica ai.
– Explico. Vocês podiam fotografar os penteados e colocar as fotografias organizadas numa pasta, isso é um portfólio.
– Serve pra que?
– Pra mostrar a identidade de vocês, mostrar que vocês tem um estilo próprio. Quem vocês são, o que pensam com esse estilo de cabelo…
– Boa isso, bem que a senhora podia fazer com nós, né?
– Faço sim, mas vocês que farão as fotos, beleza?
– Suave.

2º ATO

Na parte da manhã, dentro do colégio, as provas todas já distribuídas, alunos tentando achar sentido naquilo que vem de fora.
– Muito texto professora!
– Faz parte, tem que ler.
– Mas dá preguiça, ainda são oito e meia da manhã.
A coordenadora esbaforida entra em cada sala de aula, com a cara branca como se tivesse visto assombração.
– Recolhe tudo.
– Tudo o quê?
– As provas.
– Recolhe como?
– Eles estão ai, mataram um lá dentro ontem e querem a escola fechada. Luto.
– Quem foi professora?
– Não faço a menor ideia.
– Ex aluno, informou a coordenadora.
Provas recolhidas, alunos atônitos saindo nas carreiras para saber que era. E eu pergunto, precisa da redução da maioridade penal? Não, nós acabamos com eles antes que completem 18 anos. Mais um na estatística, que serviu de bucha. Mais um que queria uma justiça torta. Rezo por ele e agora, mais do que nunca, vou construir o portfólio com os penteados dos meus alunos, eles merecem.

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