No ano de 1977, tinha 16 anos e era bolsista de um colégio particular, em Jacarepaguá que não existe mais – SUSE – Sociedade Universitária Santa Edwiges, precisamente na rua Cândido Benício, entre o Campinho e a Praça Seca, hoje nesse prédio funciona uma escola da rede estadual. O colégio era dirigido por um deputado que se chamava Mesquita Braulio e sua família e nele eu fazia um curso Técnico de Secretáriado que nunca me serviu para nada. Aprendi, com bons professores, mecanografia, datilografia, taquigrafia, contabilidade, além das disciplinas da base comum. Lembro-me bem de dois professores, o Paes Leme que ensinava a escrita comercial e taquigrafia e o professor mais legal de todos, o Hélio de Educação Física, ele nos proibia de chamá-lo de senhor ou professor. Os dois já não vivem mais, lembro que o Hélio morreu novo ainda, depois de contrair leptospirose, quando houve uma enchente no Rio de Janeiro e inundou a sua casa que ficava no bairro vizinho, Vila Valqueire. O Paes Leme encontrei algumas vezes, era espírita e tinha um cargo de diretor na Escola de Samba Tradição.
O Hélio era o tipo de professor que se importava com TODOS os alunos, nos tratava muito bem, tinha tanto apreço pela gente que sempre nos convidava para a festa junina que acontecia na sua casa. Sua mulher e filhos também eram muito legias. Mas o fato mais marcante, além das aulas de educação física, que eram bem animadas, com muitos polichinelos, abdominais, alongamente, handbol, etc, foi o dia em que ele resolveu levar todas as suas turmas, eram umas quatro, para passar um final de semana inteirinho, num sítio em Queimados. Em um primeiro momento, meus pais, não queriam deixar eu ir, tinha que pagar (até nem era muito), mas como sempre fui boa aluna, centrada, comportada, também contei com a ajuda do professor, que escreveu um bilhete para meus pais, pedindo que eles permitissem a minha ida, pois ia ficar de olho em mim; meus pais não tiveram outra alternativa, pagaram e deixaram eu ir. Felicidade total, e toca ligar para as amigas, para definirmos as roupas, o biquini, o pijama, os lanches para a tarde e noite de sábado. Fomos quase todos os alunos, em torno de uns 80 adolescentes, saimos sexta no final da tarde para voltarmos no domingo, também de tardezinha. O sítio era maravilhoso, uma piscina enorme, campo de futebol, várias quadras, espaço de convivência, jogos, com um café da manhã e uma comida bem gostosa. Quartos separados para meninos e meninas. Pasmem! Só o professor Hélio como responsável. Quando chegamos na sexta, o tempo muduou e caiu um pé d´água. E quem diz que adolescente liga para o frio, a chuva? Que nada, todos mergulhamos e ficamos na piscina, conversando, paquerando, cantando e declamando alguns poemas que sabíamos de cor. Ninguém queria dormir, porém o frio bateu, trocamos de roupa e ficamos em um espaço que tinha uma grande mesa de sinuca e um som, esses tipos 3em1, mas não tínhamos levado as fitas e o dono do lugar só tinha uma fita com uma única música. Dançamos essa música o final de semana inteiro. “Shom me the way”
Nunca mais esqueci o Hélio, o Augusto que continua sendo meu amigo até hoje, e naquele final de semana comecera o meu segundo namoro com o Emerson Tholomeu Gherardi, nunca mais soube dele. Essa é uma outra história, agora, fiquem com o #oSoMDoMeuTeMPo
Gosto dessa música até hoje, eu e minha amigas achávamos que o Peter era o cara. Ele ontinua bem interessante.