eN La CaSa Del MaGo

“Mistérios sempre há de pintar por aí”

Gilberto Gil

Todos tem algum Guru na vida, o meu é um chileno que vive em Quito, em ele confio, a ele daria toda minha vida de um único gole.

Desperto a curiosidade e digo; Mi Diablo Guardia, le quiero mucho y siempre, su Violeta.

Escrito nas estrelas

Carlos Rennó e Arnaldo Black

Você pra mim foi o sol
De uma noite sem fim
Que acendeu o que sou
E renasceu tudo em mim

Agora eu sei muito bem
Que eu nasci só pra ser
Sua parceira, seu bem
E só morrer de prazer

Caso do acaso
Bem marcado em cartas de tarôt
Meu amor, esse amor
De cartas claras sobre a mesa
É assim
Signo do destino
Que surpresa ele nos preparou
Meu amor, nosso amor
Estava escrito nas estrelas
Tava, sim

Você me deu atenção
E tomou conta de mim
Por isso minha intenção
É prosseguir sempre assim
Pois sem você, meu tesão
Não sei o que eu vou ser
Agora preste atenção
Quero casar com você
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eNTReGa – eRa uMa VeZ No PaPeLão

Os livros e as bonecas Abayomis produzidos pelos meus alunos foram entregues para as crianças de Sepetiba, uma ação que se denomina Crianças com Oxalá. Essas crianças são apadrinhadas, recebem presentes e um dia com brincadeiras, músis e muita pizza.

Os adolescentes da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro está deixando um legado para os pequenos. Obrigada a todos os meus alunos pela bondade e disposição.

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MoSTRa De TaLeNTOS

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Essa foi a 3ª Mostra de Talentos que aconteceu no dia 27 de novembro de 2015 no CIEP 354 – Martins Pena – Nova Iguaçu – Rio de Janeiro – Metropolitana I

 

#oSoMDoMeuTeMPo

                Sandra de Sá chegou cantando Tim Maia e imediatamente viajei no tempo. I.A.P.I de Del Castilho, anos iniciais de 1970, casa dos meus avós paternos, Nerita e Balduino, onde eu e meu irmão passávamos os finais de semanas e as férias, quando não íamos para Cysneiros (uma cidade minúscula na Zona da Mata mineira).

                Vovó sempre nos queria por perto, talvez já intuísse que ficaria pouco tempo entre nós e lá íamos ficar com eles, sexta-feira depois da aula e permanecíamos até o domingo.

                A lembrança que vem – a partir do som de Tim Maia cantado por Sandra de Sá – em um momento mágico, ela estava acompanhada de alguma entidade, talvez as do universo musical, só quem esteve presente pode dizer como foi aquele momento de êxtase total:

                Você é algo assim… é tudo pra mim… é como sonhava…. baby

                Sou feliz agora… não, não vá embora… não

                Vou morrer de saudade….

       Digressão a parte, a lembrança é a do salão de cabeleireiro improvisado, pela minha Tia Sueli, no último quarto da casa. Sim, era um salão onde as vizinhas e as outras tias iam se arrumar para o final de semana. Penteados com bobs e depois a touca, que tinha que virar, e depois bobs de novo, nunca entendi muito bem essa engenharia capilar, mas os penteados ficavam bonitos, ainda tinha uma espécie de cestinha que colocava no topo da cabeça, passava o cabelo por cima e dava um volume legal, mamãe usou uma vez, acho que para um casamento. Outra técnica para dar volume ao cabelo era desfiá-lo com um pente bem fininho, ficava estranho no início, mas depois dos toques finais e muito laque luziam divinos.

                Entre uma estória e outra da revista Grade Hotel, de fotonovelas, ficava olhando aquelas mágicas acontecerem, sem contar as sobrancelhas, feitas com gilete (a pinça veio depois), bem fininhas contornando os olhares das moças do bairro. Agora, o mais estranho mesmo era a hora do pedicure, os pés ficavam imersos em uma bacia de alumínio com água quente e um pouco de sabão, mergulhados por um tempo, depois de retirados, meio murchos, passava-se o barbeador, isso mesmo, aqueles antigos, com gilete novinha, pela sola dos pés (principalmente no calcanhar) para tirar as pelas mortas, fazia-se a barba nos pés, literalmente. Outra gilete era usada para depilar as pernas, Tia Sueli tinha pernas lindas, bem torneadas, depois de alguns dias de depilação, os pelos pinicavam em quem sentasse no seu colo, eu senti essa sensação algumas vezes, quando voltávamos de 680 (Méier – IAPI da Penha) de algum lugar e tinha que sentar no seu colo dentro do ônibus, ela usava uns vestidos mais curtos que deixava à mostra um pouco das suas coxas  e essa parte picava muito.

                Do rádio, no salão improvisado, saiam vários sons, escutávamos os sucessos da época e lembro perfeitamente de dois que ela adorava, Marcio Greyck e Martinha. Isso tudo acontecia na Rua B porque na rua C, na casa do meu avô (materno) o som era outro,  de lá saia, da vitrola do Tio Luís, J’aime moi no plus, mas essa história fica para depois. As músicas estão ai embaixo.

                Junto com o som de Sandra de Sá, veio um amigo, que já não via há alguns anos, Jorge Ferreira a quem dedico essa crônica.

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Que é iSSo?

Para o meu amigo, irmão, filho e inspiração Wallace Lopez Espaçólogo
Michel Foucault,
É isso um cachimbo?
Uma pedra?
As meninas de Velásquez em palavras?
O que é isso Michel Foucault?
Nada.

BRoTaÇão uLTRaFeCTuoSa

Ontem, durante o encontro com meus amigos Breno Felipe​, Leonardo Luís​, Matteus Alario​ e Larissa Almeida​, saiu este texto, interpretados por todos, mas que dedico aos meus amigos batalhadores do C.E Hebe Camargo que tem que ouvir muita bobagens, Cristiane Lima Alves​, Rosangela Lannes Cout Cordeiro​ e Daniel Claro​

Brotação ultrafectuosa

Não trago carne
muito menos músculos e calcanhares
nem dores, astroses, achaques

Não trago gotas
muito menos saliva e sabores
nem palavras, piscadas, sinais

Sentidos, alertas, calores
trago como sorriso largo
que belisca o pensamento

Caras e bocas, desvios, almas
trago como passos largos e longos
que apartam brigas internas.

Fabio Costa​ me pediu e eu escrevi um texto sobre primavera, que li no Sarau do C. E. Erich Walter Heine.

Quero dedicá-lo ao meu amigo também professor Marcos Mello​ que me inspirou e a minha prima, Vera Lucia Lima Blanc​.

Primavera

Prima = primeira
Vera = verdade

Estação que antecede o verão.
Primavera lembra Tim Maia – “porque é primavera, te amo, meu amor, trago essa rosa.”

Beto Guedes também passa pela minha lembrança – “quando entrar setembro e as boas novas andar nos campo… A lição sabemos de cor, só nos resta aprender, sol de primavera abre a janela no meu corpo.”

Nerita, minha filha, chegou em plena primavera
Nina, minha neta, chegará em uma primavera plena.

Primavera traz na memória as aulas de história com a Primavera de Praga, uma longa primavera 1968 a 1990. Agora presenciaremos uma Primavera de Pragas, pois viveremos e entraremos a próxima primavera com:

Zica,

Refugiados Sírios distribuídos pelo mundo,

Alemanha abrindo as portas, ou seriam as pernas para parir pessoas que serão mutiladas, posto que escravizadas,

Nada de reajuste salarial para os professores do estado,

Vontade de dizer não à sociedade do espetáculo,

Mais um dia da árvore, em um planeta que as mesmas passam por um processo de extinção,

O eu mais potencializado nas redes sociais,

Os jogadores de futebol brigando por mais espaço na mídia

Jovens negros morrendo a rodo e sem serem afogados em uma praia mediterrânea, mas tentando refugiar-se em uma marquise qualquer,

Crianças indígenas espancada no Mato Grosso do Sul,

Gente dizendo mais do mesmo,

A mídia tentando enganar cada vez mais e mais a população,

Preconceito,

Mais um ENEM

Show do Criolo, Caetano e Gil,

Algum aluno dizendo: professora é pra copiar, posso ir ao banheiro, que horas que acaba essa aula?

Um monte de adolescentes grávidas ou querendo engravidar, porque está na moda é um outro monte querendo fazer um aborto porque não está na moda.

A realidade dos consumidos pela ganância acorda, ou tenta acordar, todos os dias, aqueles que estão dormentes, aqueles que perderam a capacidade do sonho. Muitas vezes lançar-se ao vazio parece ser a solução, ou não. E eu aqui escrevendo um texto primaveril, quando só passa pelos meus pensamentos a Primavera de Praga ou seria, a Primavera de Pragas acontecendo pelo mundo afora.

Recomponha a sua primavera, pois minha prima Vera não nasceu na primavera e adora o inverno.

HéLio, QueiMaDos e PeTeR FRaMPToN

No ano de 1977, tinha 16 anos e era bolsista de um colégio particular, em Jacarepaguá que não existe mais – SUSE – Sociedade Universitária Santa Edwiges, precisamente na rua Cândido Benício, entre o Campinho e a Praça Seca, hoje nesse prédio funciona uma escola da rede estadual.  O colégio era dirigido por um deputado que se chamava Mesquita Braulio e sua família e nele eu fazia um curso Técnico de Secretáriado que nunca me serviu para nada. Aprendi, com bons professores, mecanografia, datilografia, taquigrafia, contabilidade, além das disciplinas da base comum. Lembro-me bem de dois professores, o Paes Leme que ensinava a escrita comercial e taquigrafia e o professor mais legal de todos, o Hélio de Educação Física, ele nos proibia de chamá-lo de senhor ou professor. Os dois já não vivem mais, lembro que o Hélio morreu novo ainda, depois de contrair leptospirose, quando houve uma enchente no Rio de Janeiro e inundou a sua casa que ficava no bairro vizinho, Vila Valqueire. O Paes Leme encontrei algumas vezes, era espírita e tinha um cargo de diretor na Escola de Samba Tradição.

O Hélio era o tipo de professor que se importava com TODOS os alunos, nos tratava muito bem, tinha tanto apreço pela gente que sempre nos convidava para a festa junina que acontecia na sua casa. Sua mulher e filhos também eram muito legias. Mas o fato mais marcante, além das aulas de educação física, que eram bem animadas, com muitos polichinelos, abdominais, alongamente, handbol,  etc, foi o dia em que ele resolveu levar todas as suas turmas, eram umas quatro, para passar um final de semana inteirinho, num sítio em Queimados. Em um primeiro momento, meus pais, não queriam deixar eu ir, tinha que pagar (até nem era muito), mas como sempre fui boa aluna, centrada, comportada, também contei com a ajuda do professor, que escreveu um bilhete para meus pais, pedindo que eles permitissem a minha ida, pois ia ficar de olho em mim; meus pais não tiveram outra alternativa, pagaram e deixaram eu ir. Felicidade total, e toca ligar para as amigas, para definirmos as roupas, o biquini, o pijama, os lanches para a tarde e noite de sábado. Fomos quase todos os alunos, em torno de uns 80 adolescentes, saimos sexta no final da tarde para voltarmos no domingo, também de tardezinha. O sítio era maravilhoso, uma piscina enorme, campo de futebol, várias quadras, espaço de convivência, jogos, com um café da manhã e uma comida bem gostosa. Quartos separados para meninos e meninas. Pasmem! Só o professor Hélio como responsável. Quando chegamos na sexta, o tempo muduou e caiu um pé d´água. E quem diz que adolescente liga para o frio, a chuva? Que nada, todos mergulhamos e ficamos na piscina, conversando, paquerando, cantando e declamando alguns poemas que sabíamos de cor. Ninguém queria dormir, porém o frio bateu, trocamos de roupa e ficamos em um espaço que tinha uma grande mesa de sinuca e um som, esses tipos 3em1, mas não tínhamos levado as fitas e o dono do lugar só tinha uma fita com uma única música. Dançamos essa música o final de semana inteiro. “Shom me the way”

Nunca mais esqueci o Hélio, o Augusto que continua sendo meu amigo até hoje, e naquele final de semana comecera o meu segundo namoro com o Emerson Tholomeu Gherardi, nunca mais soube dele. Essa é uma outra história, agora, fiquem com o #oSoMDoMeuTeMPo

Gosto dessa música até hoje, eu e minha amigas achávamos que o Peter era o cara. Ele ontinua bem interessante.