Nina e o sentido da perda

Perdi uma das minha gatinhas, a Kátia Marina, minha neta soube da notícia e veio me consolar via whatsapp.

– Vovó por que morreu sua gatinha? Ela era tão bonita. Qual gatinha que morreu? Abraço e beijo e ai, por que ela morreu? Ela era muito bonitinha. Por que você está triste, se a vida é assim… todos morrem. Um dia eu vi um cachorro morrido, coitado, mas eu não vou contar onde, é um segredinho.

 

eN La CaSa Del MaGo

“Mistérios sempre há de pintar por aí”

Gilberto Gil

Todos tem algum Guru na vida, o meu é um chileno que vive em Quito, em ele confio, a ele daria toda minha vida de um único gole.

Desperto a curiosidade e digo; Mi Diablo Guardia, le quiero mucho y siempre, su Violeta.

Escrito nas estrelas

Carlos Rennó e Arnaldo Black

Você pra mim foi o sol
De uma noite sem fim
Que acendeu o que sou
E renasceu tudo em mim

Agora eu sei muito bem
Que eu nasci só pra ser
Sua parceira, seu bem
E só morrer de prazer

Caso do acaso
Bem marcado em cartas de tarôt
Meu amor, esse amor
De cartas claras sobre a mesa
É assim
Signo do destino
Que surpresa ele nos preparou
Meu amor, nosso amor
Estava escrito nas estrelas
Tava, sim

Você me deu atenção
E tomou conta de mim
Por isso minha intenção
É prosseguir sempre assim
Pois sem você, meu tesão
Não sei o que eu vou ser
Agora preste atenção
Quero casar com você
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eNTReGa – eRa uMa VeZ No PaPeLão

Os livros e as bonecas Abayomis produzidos pelos meus alunos foram entregues para as crianças de Sepetiba, uma ação que se denomina Crianças com Oxalá. Essas crianças são apadrinhadas, recebem presentes e um dia com brincadeiras, músis e muita pizza.

Os adolescentes da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro está deixando um legado para os pequenos. Obrigada a todos os meus alunos pela bondade e disposição.

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#oSoMDoMeuTeMPo

                Sandra de Sá chegou cantando Tim Maia e imediatamente viajei no tempo. I.A.P.I de Del Castilho, anos iniciais de 1970, casa dos meus avós paternos, Nerita e Balduino, onde eu e meu irmão passávamos os finais de semanas e as férias, quando não íamos para Cysneiros (uma cidade minúscula na Zona da Mata mineira).

                Vovó sempre nos queria por perto, talvez já intuísse que ficaria pouco tempo entre nós e lá íamos ficar com eles, sexta-feira depois da aula e permanecíamos até o domingo.

                A lembrança que vem – a partir do som de Tim Maia cantado por Sandra de Sá – em um momento mágico, ela estava acompanhada de alguma entidade, talvez as do universo musical, só quem esteve presente pode dizer como foi aquele momento de êxtase total:

                Você é algo assim… é tudo pra mim… é como sonhava…. baby

                Sou feliz agora… não, não vá embora… não

                Vou morrer de saudade….

       Digressão a parte, a lembrança é a do salão de cabeleireiro improvisado, pela minha Tia Sueli, no último quarto da casa. Sim, era um salão onde as vizinhas e as outras tias iam se arrumar para o final de semana. Penteados com bobs e depois a touca, que tinha que virar, e depois bobs de novo, nunca entendi muito bem essa engenharia capilar, mas os penteados ficavam bonitos, ainda tinha uma espécie de cestinha que colocava no topo da cabeça, passava o cabelo por cima e dava um volume legal, mamãe usou uma vez, acho que para um casamento. Outra técnica para dar volume ao cabelo era desfiá-lo com um pente bem fininho, ficava estranho no início, mas depois dos toques finais e muito laque luziam divinos.

                Entre uma estória e outra da revista Grade Hotel, de fotonovelas, ficava olhando aquelas mágicas acontecerem, sem contar as sobrancelhas, feitas com gilete (a pinça veio depois), bem fininhas contornando os olhares das moças do bairro. Agora, o mais estranho mesmo era a hora do pedicure, os pés ficavam imersos em uma bacia de alumínio com água quente e um pouco de sabão, mergulhados por um tempo, depois de retirados, meio murchos, passava-se o barbeador, isso mesmo, aqueles antigos, com gilete novinha, pela sola dos pés (principalmente no calcanhar) para tirar as pelas mortas, fazia-se a barba nos pés, literalmente. Outra gilete era usada para depilar as pernas, Tia Sueli tinha pernas lindas, bem torneadas, depois de alguns dias de depilação, os pelos pinicavam em quem sentasse no seu colo, eu senti essa sensação algumas vezes, quando voltávamos de 680 (Méier – IAPI da Penha) de algum lugar e tinha que sentar no seu colo dentro do ônibus, ela usava uns vestidos mais curtos que deixava à mostra um pouco das suas coxas  e essa parte picava muito.

                Do rádio, no salão improvisado, saiam vários sons, escutávamos os sucessos da época e lembro perfeitamente de dois que ela adorava, Marcio Greyck e Martinha. Isso tudo acontecia na Rua B porque na rua C, na casa do meu avô (materno) o som era outro,  de lá saia, da vitrola do Tio Luís, J’aime moi no plus, mas essa história fica para depois. As músicas estão ai embaixo.

                Junto com o som de Sandra de Sá, veio um amigo, que já não via há alguns anos, Jorge Ferreira a quem dedico essa crônica.

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Que é iSSo?

Para o meu amigo, irmão, filho e inspiração Wallace Lopez Espaçólogo
Michel Foucault,
É isso um cachimbo?
Uma pedra?
As meninas de Velásquez em palavras?
O que é isso Michel Foucault?
Nada.

BRoTaÇão uLTRaFeCTuoSa

Ontem, durante o encontro com meus amigos Breno Felipe​, Leonardo Luís​, Matteus Alario​ e Larissa Almeida​, saiu este texto, interpretados por todos, mas que dedico aos meus amigos batalhadores do C.E Hebe Camargo que tem que ouvir muita bobagens, Cristiane Lima Alves​, Rosangela Lannes Cout Cordeiro​ e Daniel Claro​

Brotação ultrafectuosa

Não trago carne
muito menos músculos e calcanhares
nem dores, astroses, achaques

Não trago gotas
muito menos saliva e sabores
nem palavras, piscadas, sinais

Sentidos, alertas, calores
trago como sorriso largo
que belisca o pensamento

Caras e bocas, desvios, almas
trago como passos largos e longos
que apartam brigas internas.

aSSiM São oS PáTioS DaS eSCoLaS XV

Porque hoje foi dia de conversar e debater com meus alunos sobre o cabelo. Muitas meninas e meninos sentem vergonha da sua identidade e não se reconhecem como negros e lindos.

Hoje ouvi muitas dizerem: – professora, meu cabelo é ruim, é duro e é por isso que eu aliso.

Comecei a mudar esse pensamento a partir de dois documentários, mas não é nada fácil. Muito triste o que fazem com eles desde pequenos. Mas não desisirei até que eles percebam que tem talento, valor e uma estética invejável e linda!

Segum os documentários que estão disponíveis no youtube

Vovó Lilita

Trago em mim profundas e boas marcas e lembranças da minha avó paterna, Nerita Goulart de Carvalho.
Foi ela quem:
bordou parte do meu enxoval de bebê;
urou as minhas orelhas;
cuidou do meu umbigo e;
fez comidinha de verdade nas minhas panelas de brinquedo.

Deixou esse mundo com a minha idade, 54 anos. Quais serão as marcas e as lembranças que deixarei na minha neta?