Embolamos-nos
Nus
Dentro de um turbilhão de afetos
Guardados
Na verdade
Escondidos
Adormecidos
Nunca esquecidos
Dentro da energia
De nós
Nus
Completos
Embolamos-nos
Nus
Dentro de um turbilhão de afetos
Guardados
Na verdade
Escondidos
Adormecidos
Nunca esquecidos
Dentro da energia
De nós
Nus
Completos
“Mistérios sempre há de pintar por aí”
Gilberto Gil
Todos tem algum Guru na vida, o meu é um chileno que vive em Quito, em ele confio, a ele daria toda minha vida de um único gole.
Desperto a curiosidade e digo; Mi Diablo Guardia, le quiero mucho y siempre, su Violeta.
Escrito nas estrelas
Carlos Rennó e Arnaldo Black
Você pra mim foi o sol
De uma noite sem fim
Que acendeu o que sou
E renasceu tudo em mim
Agora eu sei muito bem
Que eu nasci só pra ser
Sua parceira, seu bem
E só morrer de prazer
Caso do acaso
Bem marcado em cartas de tarôt
Meu amor, esse amor
De cartas claras sobre a mesa
É assim
Signo do destino
Que surpresa ele nos preparou
Meu amor, nosso amor
Estava escrito nas estrelas
Tava, sim
Você me deu atenção
E tomou conta de mim
Por isso minha intenção
É prosseguir sempre assim
Pois sem você, meu tesão
Não sei o que eu vou ser
Agora preste atenção
Quero casar com você
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Faz quatro anos que moro na Pedra de Guaratiba, zona oeste do Rio de Janeiro, alguns dias atrás acompanhei meu amigo fotografo, Jorge Ferreira, em uma volta pela região com o intuito de aprender a fotografar, já que estava com um profissional e uma máquina legal. Deparei-me com um bairro bonito, mas com um lado que não gostei. Um crime ambiental na baía de Sepetiba, matando a belaza a sua volta. Espero que as fotos falem por si.
Os livros e as bonecas Abayomis produzidos pelos meus alunos foram entregues para as crianças de Sepetiba, uma ação que se denomina Crianças com Oxalá. Essas crianças são apadrinhadas, recebem presentes e um dia com brincadeiras, músis e muita pizza.
Os adolescentes da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro está deixando um legado para os pequenos. Obrigada a todos os meus alunos pela bondade e disposição.
Essa foi a 3ª Mostra de Talentos que aconteceu no dia 27 de novembro de 2015 no CIEP 354 – Martins Pena – Nova Iguaçu – Rio de Janeiro – Metropolitana I
Sandra de Sá chegou cantando Tim Maia e imediatamente viajei no tempo. I.A.P.I de Del Castilho, anos iniciais de 1970, casa dos meus avós paternos, Nerita e Balduino, onde eu e meu irmão passávamos os finais de semanas e as férias, quando não íamos para Cysneiros (uma cidade minúscula na Zona da Mata mineira).
Vovó sempre nos queria por perto, talvez já intuísse que ficaria pouco tempo entre nós e lá íamos ficar com eles, sexta-feira depois da aula e permanecíamos até o domingo.
A lembrança que vem – a partir do som de Tim Maia cantado por Sandra de Sá – em um momento mágico, ela estava acompanhada de alguma entidade, talvez as do universo musical, só quem esteve presente pode dizer como foi aquele momento de êxtase total:
Você é algo assim… é tudo pra mim… é como sonhava…. baby
Sou feliz agora… não, não vá embora… não
Vou morrer de saudade….
Digressão a parte, a lembrança é a do salão de cabeleireiro improvisado, pela minha Tia Sueli, no último quarto da casa. Sim, era um salão onde as vizinhas e as outras tias iam se arrumar para o final de semana. Penteados com bobs e depois a touca, que tinha que virar, e depois bobs de novo, nunca entendi muito bem essa engenharia capilar, mas os penteados ficavam bonitos, ainda tinha uma espécie de cestinha que colocava no topo da cabeça, passava o cabelo por cima e dava um volume legal, mamãe usou uma vez, acho que para um casamento. Outra técnica para dar volume ao cabelo era desfiá-lo com um pente bem fininho, ficava estranho no início, mas depois dos toques finais e muito laque luziam divinos.
Entre uma estória e outra da revista Grade Hotel, de fotonovelas, ficava olhando aquelas mágicas acontecerem, sem contar as sobrancelhas, feitas com gilete (a pinça veio depois), bem fininhas contornando os olhares das moças do bairro. Agora, o mais estranho mesmo era a hora do pedicure, os pés ficavam imersos em uma bacia de alumínio com água quente e um pouco de sabão, mergulhados por um tempo, depois de retirados, meio murchos, passava-se o barbeador, isso mesmo, aqueles antigos, com gilete novinha, pela sola dos pés (principalmente no calcanhar) para tirar as pelas mortas, fazia-se a barba nos pés, literalmente. Outra gilete era usada para depilar as pernas, Tia Sueli tinha pernas lindas, bem torneadas, depois de alguns dias de depilação, os pelos pinicavam em quem sentasse no seu colo, eu senti essa sensação algumas vezes, quando voltávamos de 680 (Méier – IAPI da Penha) de algum lugar e tinha que sentar no seu colo dentro do ônibus, ela usava uns vestidos mais curtos que deixava à mostra um pouco das suas coxas e essa parte picava muito.
Do rádio, no salão improvisado, saiam vários sons, escutávamos os sucessos da época e lembro perfeitamente de dois que ela adorava, Marcio Greyck e Martinha. Isso tudo acontecia na Rua B porque na rua C, na casa do meu avô (materno) o som era outro, de lá saia, da vitrola do Tio Luís, J’aime moi no plus, mas essa história fica para depois. As músicas estão ai embaixo.
Junto com o som de Sandra de Sá, veio um amigo, que já não via há alguns anos, Jorge Ferreira a quem dedico essa crônica.
Ontem, tive a grata satisfação de escutar o texto – Mulheres Negras do Facção Central, declamado por uma das lindas alunas, Clara, que estavam presentes no evento – 5º Seminário das relações étnicos-raciais, promovido pela Metropolitana IV – SEEDUC/RJ. Belo momento, quando a menina lia entre as suas lágrimas. Foi forte.
Dedicado a todas as minhas alunas que lutam, diariamente, para serem ouvidas e vistas como ser que faz parte dessa sociedade.
Mulheres Negras
Eduardo – Facção Central
Enquanto o couro do chicote cortava a carne,
A dor metabolizada fortificava o caráter
A colônia produziu muito mais que cativos,
Fez heroínas que pra não gerar escravos, matavam os filhos
Não fomos vencidas pela anulação social
Sobrevivemos à ausência na novela, no comercial
O sistema pode até me transformar em empregada,
Mas não pode me fazer raciocinar como criada
Enquanto mulheres convencionais lutam contra o machismo,
As negras duelam pra vencer o machismo, o preconceito, o racismo
Lutam pra reverter o processo de aniquilação
Que encarcera afrodescendentes em cubículos na prisão
Não existe lei Maria da Penha que nos proteja
Da violência de nos submeter aos cargos de limpeza
De ler nos banheiros das faculdades hitleristas,
Fora macacos cotistas
Pelo processo branqueador não sou a beleza padrão,
Mas na lei dos justos sou a personificação da determinação
Navios negreiros e apelidos dados pelo escravizador
Falharam na missão de me dar complexo de inferior
Não sou a subalterna que o senhorio crê que construiu
Meu lugar não é nos calvários do Brasil
Se um dia eu tiver que me alistar no tráfico do morro,
É porque a Lei Áurea não passa de um texto morto
Não precisa se esconder, segurança
Sei que cê tá me seguindo, pela minha feição, minha trança
Sei que no seu curso de protetor de dono praia,
Ensinaram que as negras saem do mercado com produtos em baixo da saia
Não quero um pote de manteiga ou um xampu,
Quero frear o maquinário que me dá rodo e URU
Fazer o meu povo entender que é inadmissível,
Se contentar com as bolsas estudantis do péssimo ensino
Cansei de ver a minha gente nas estatísticas,
Das mães solteiras, detentas, diaristas.
O aço das novas correntes não aprisiona minha mente,
Não me compra e não me faz mostrar os dentes
Mulher negra não se acostume com termo depreciativo
Não é melhor ter cabelo liso, nariz fino
Nossos traços faciais são como letras de um documento
Que mantém vivo o maior crime de todos os tempos
Fique de pé pelos que no mar foram jogados,
Pelos corpos que nos pelourinhos foram descarnados
Não deixe que te façam pensar que o nosso papel na pátria,
É atrair gringo turista interpretando mulata
Podem pagar menos pelos mesmos serviços
Atacar nossas religiões, acusar de feitiços
Menosprezar a nossa contribuição na cultura brasileira,
Mas não podem arrancar o orgulho de nossa pele negra
Mulheres negras são como mantas Kevlar,
Preparadas pela vida para suportar
O racismo, os tiros, o eurocentrismo,
Abalam mais não deixam nossos neurônios cativos.
Ontem, durante o encontro com meus amigos Breno Felipe, Leonardo Luís, Matteus Alario e Larissa Almeida, saiu este texto, interpretados por todos, mas que dedico aos meus amigos batalhadores do C.E Hebe Camargo que tem que ouvir muita bobagens, Cristiane Lima Alves, Rosangela Lannes Cout Cordeiro e Daniel Claro
Brotação ultrafectuosa
Não trago carne
muito menos músculos e calcanhares
nem dores, astroses, achaques
Não trago gotas
muito menos saliva e sabores
nem palavras, piscadas, sinais
Sentidos, alertas, calores
trago como sorriso largo
que belisca o pensamento
Caras e bocas, desvios, almas
trago como passos largos e longos
que apartam brigas internas.
Fabio Costa me pediu e eu escrevi um texto sobre primavera, que li no Sarau do C. E. Erich Walter Heine.
Quero dedicá-lo ao meu amigo também professor Marcos Mello que me inspirou e a minha prima, Vera Lucia Lima Blanc.
Primavera
Prima = primeira
Vera = verdade
Estação que antecede o verão.
Primavera lembra Tim Maia – “porque é primavera, te amo, meu amor, trago essa rosa.”
Beto Guedes também passa pela minha lembrança – “quando entrar setembro e as boas novas andar nos campo… A lição sabemos de cor, só nos resta aprender, sol de primavera abre a janela no meu corpo.”
Nerita, minha filha, chegou em plena primavera
Nina, minha neta, chegará em uma primavera plena.
Primavera traz na memória as aulas de história com a Primavera de Praga, uma longa primavera 1968 a 1990. Agora presenciaremos uma Primavera de Pragas, pois viveremos e entraremos a próxima primavera com:
Zica,
Refugiados Sírios distribuídos pelo mundo,
Alemanha abrindo as portas, ou seriam as pernas para parir pessoas que serão mutiladas, posto que escravizadas,
Nada de reajuste salarial para os professores do estado,
Vontade de dizer não à sociedade do espetáculo,
Mais um dia da árvore, em um planeta que as mesmas passam por um processo de extinção,
O eu mais potencializado nas redes sociais,
Os jogadores de futebol brigando por mais espaço na mídia
Jovens negros morrendo a rodo e sem serem afogados em uma praia mediterrânea, mas tentando refugiar-se em uma marquise qualquer,
Crianças indígenas espancada no Mato Grosso do Sul,
Gente dizendo mais do mesmo,
A mídia tentando enganar cada vez mais e mais a população,
Preconceito,
Mais um ENEM
Show do Criolo, Caetano e Gil,
Algum aluno dizendo: professora é pra copiar, posso ir ao banheiro, que horas que acaba essa aula?
Um monte de adolescentes grávidas ou querendo engravidar, porque está na moda é um outro monte querendo fazer um aborto porque não está na moda.
A realidade dos consumidos pela ganância acorda, ou tenta acordar, todos os dias, aqueles que estão dormentes, aqueles que perderam a capacidade do sonho. Muitas vezes lançar-se ao vazio parece ser a solução, ou não. E eu aqui escrevendo um texto primaveril, quando só passa pelos meus pensamentos a Primavera de Praga ou seria, a Primavera de Pragas acontecendo pelo mundo afora.
Recomponha a sua primavera, pois minha prima Vera não nasceu na primavera e adora o inverno.