Sobre o amor

É a mesma história de sempre, de músicas, filmes livros e vidas. Pessoa encontra pessoa e ambas começam a se gostar, sair mais e de repente estão se amando. Se amando de falar ‘io ti amo’ juntinho no ouvido um do outro. Se amam de ligar pra ouvir a voz do outro; e por motivos tão inexplicáveis como o motivo pelo qual começaram a sentir uma falta incomensurável um do outro se magoam, se separam e se machucam.

Por uma série de motivos, razões e etcs; que me parecem na maioria das vezes ligadas a uma só característica: responsabilidade. Quando amamos, e fazemos loucuras por amor, agimos na maioria das vezes por um impulso egoísta, que tem a ver com as nossas necessidades e carências. O amor que na maioria das vezes vejo materializado me parece ver de uma relação que encara o outro como um passivo que, na maioria das vezes, existe para cumprir uma função dentro da nossa vida.

E essa hora que uma fala do Luiz Felipe Pondé ressoa na minha cabeça “A pessoa que você ama tem o poder de, com uma só palavra, arruinar ou maravilhar o seu dia”. Eu conheço poucas coisas que conseguem atingir tal força e com tamanha constância. Pois podemos ver um filme, ler um livro… que mudem várias percepções e estados emocionais nossos; mas uma eventual re-exposição a isso não possui a mesma força que uma pessoa amada pode proporcionar em você, com um simples gesto, repetidas vezes.

E nós vamos andando, nos comportando e exigindo dos outros que atendam aos nossos anseios, que cumpram um papel estabelecido de acordo com o que você quer; quando deveríamos nos debruçar um pouco por sobre esse poder que temos. Poder do qual advém responsabilidade, para com a pessoa que amamos, se conseguimos somente com uma palavra, com um gesto, modificar radicalmente o dia de uma pessoa pela qual temos sentimentos profundos, como podemos nós nos comportar como se essa pessoa deveria só nos satisfazer? Estar ali só para atingir as nossas marcas e padrões pré estabelecidos. Quando na verdade não vemos/percebemos que de fato temos, sim uma imensa responsabilidade que vem do fato de meramente existirmos.

Quando temos a capacidade de com um olhar, com uma entrada no ambiente, mudar completamente a maneira que uma outra pessoa interage e reage com o mundo; deveríamos tomar muito cuidado com o que fazemos e como o fazemos. O problema, de novo, é que nunca nos vemos como protagonistas disso; como os atores do que acontece, sempre nos enxergamos como o passivo. Como quem sofre os efeitos ao entrar na sala e vermos a pessoa amada e mudamos, nós mesmos, de atitude. E acabamos por esquecer desse outro lado, importantíssimo da moeda; de que possuímos nós mesmos a capacidade de fazer o mesmo.

Possuímos a capacidade e qualidade de melhorar ou piorar ‘instantaneamente’ a reação dessa outra pessoa, e isso é um dom nos concedido por ela, assim como os candidatos a presidente tentam nos convencer de que o fato de poderem ser eleitos é um dom concedido por nós, e por isso têm responsabilidade conosco. Esquecemos dessa carga, desse poder e fardo que carregamos ao cedermos nosso coração para montarmos um suporte que dependa dos dois. Citando uma música sarrista e muito divertida : “Eu até cortaria meu pênis por você¹”. Tomemos cuidado com o que fazemos e pedimos para aqueles que amamos, pois eles podem fazer isso apesar da preservação própria, sem pensar que isso pode ser prejudicial para si mesmos, todos os outros e inclusive a relação de vocês…

¹”I’ll even cut my penis down for you” She has a girlfreind now do Reel Big Fish

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