Tem muita gente que vai querer me odiar por esse texto; vão me chamar de fascista, escroto e retrógrado. Principalmente aqueles que não lerem até o final. Porque? Pra mim o que aconteceu ontem foi uma coisa anunciada. Não anunciada, porque o Governador falou que ia impedir o vandalismo, também não foi anunciada porque o prefeito não aceitou a demanda. E muito menos anunciada porque a P.M. é MILITAR, ou é um organismo oriundo da ditadura.
Ontem foi uma tragédia anunciada porque haviam várias dinâmicas que envolviam seres humanos, e eu vou tentar lançar um olhar diferente pra elas do que a mesmice que tenho lido.
Conheci pouquíssimas pessoas (pra não falar nenhuma) que se considere um verdadeiro vilão. Principalmente pessoas que se tornam policiais, e olha que existem muitos escrotos na polícia (assim como existem muitos advogados escrotos, muitos vendedores de carro, médicos e etcs). Mas te garanto que todos eles agem por motivos objetivos, que possuem um raciocínio que não é inerentemente perverso.
Antes que você me diga – mas e o policial corrupto? No que te respondo: o policial corrupto é muito mais um cara que está tentando salvar os seus (amigos, parentes, cachorros, etc) do que um cara que quer fazer o mal para o outro. Ele inadvertidamente faz um mal para o outro; mas ele ajuda a senhorinha da vila dele a comprar os remédios para diabete. Mas ele escolhe não ajudar uma estrutura amorfa, cheia de pessoas que o repudiam, mas sim, pessoas que são reais para ele.
Por mais que ele tenha matado, ou chacinado, um ‘suspeito ou outro’; ele entende que na verdade fez um favor a sociedade. O meliante em questão ia matar uma dona de casa, estuprar uma estudante; sacou a arma quando viu a viatura e meteu bala. Porque esse policial não mataria esse cara? Pra ele é simples, ele está do outro lado do cano, na vida dele existe um número razoável de pessoas que quer matar ele só por que ele veste a roupa que veste, trabalha no lugar que trabalha.
Eu sei que tem gente que já está confirmando o que achava antes; que eu sou fascista, reacionário; mas peço que continuem lendo.
Esse mesmo policial de dois parágrafos acima, quando chega em casa tem que pendurar a farda dentro de casa. Porque? -Ele vive numa área onde chacinas pelo PCC e outros grupos de crime organizado contra policiais e amigos de policiais é um medo real. A opressão que esse cara sente, domina ele 24 horas por dia.
Em casa, ele não pode ser o policial que é, no trabalho, tem que se preocupar em viver uma guerra que o persegue principalmente nos lugares que mais precisariam dele.
E daí rola uma passeata, duas; a tensão interna delas aumenta.
Ele lê o episódio do policial que foi linchado. E cai um vídeo na internet com pessoas gritando: -É policia! Mata! Pega!
Em cima de tudo isso, o cara vê uma pessoa que é vista como ele, vê o uniforme que poderia ser dele, como alvo de uma turba. E face a tudo isso, ele é destacado para fazer a segurança da próxima passeata. E começa a conversar com os amigos e colegas. Todos tem o mesmo sentimento: de que poderiam ser eles, de que se deixar ser como foi da última vez, eles podem ser o cara; e as coisas podem terminar mal.
Um pouco quietos, um pouco cada um por si, eles chegam a conclusão de que: “-Comigo não!”. Essa massa amorfa de gente na frente dele não vai reduzir ele e os seus amigos a uma mancha de sangue no jornal, na internet. E partem pra cima.
Antes que alguém solte um grito de: -Fascista! Eu não concordo com a atitude. Acho ela repugnante, mas não consigo vê-la como algo que não foi provocado. E aí me/te pergunto: será que a micro-minoria (é o que parecem ser) de arruaceiros das passeatas não queriam isso? Será que esse confronto com a P.M. não serve aos interesses de alguém? E continuo: nessas horas não é muito mais fácil culpar a instituição, do que tentar entender a problemática, que é muito mais complexa? Não é mais fácil culpar o fenômeno do que processo? Não é mais fácil manipular pessoas com raiva do que serenas?
Eu não sei a resposta, mas gostaria de convidar vocês para essa reflexão.
Em tempo: Ainda pretendo ir na Faria Lima na segunda.


