Ontem rolou um ‘rebuliço’ na internet (mais especificamente twitter) por causa de uma brincadeira de 1o. de abril. O Globo Esporte paulista brincou com os grandes do estado e deu parabéns ao Conrinthians pelo aniversário do seu campeonato da libertadores. O Corinthians que nunca foi campeão da libertadores, a alguns anos tenta chegar lá, mas sem muita sorte. E os corinthianos se condoeram com isso, pediram desculpas formais do programa e partiram para o que seria uma ‘agressão pesada’ ao seu ver, parabenizando o casamento do Thiago Leifert com um jogador de basquete.
Isso preocupa. Preocupa porque o Conrinthians é a maior torcida paulista, e talvez do Brasil. E uma reação dessa, é uma reação preocupante por denunciar a falta de uma capacidade dentro dessa comunidade formada por milhões de pessoas vindas de todos os espectros da sociedade brasileira (apesar das brincadeiras inter torcidas sugerirem o contrário). A reação de uma parcela razoável dos Corinthanos é um exemplo de como pensa boa parte dos brasileiros: tirem sarro dos outros, não de mim; sou perfeito e ignoro, xingo e escarro quem disser o contrário – mesmo que seja uma verdade fatual.
Porque preocupa? Porque essa mentalidade não assume o contraditório, não assume a mudança ou a disputa legítima entre ideias e interesses… É uma mentalidade de raiz essencialmente totalitarista. É a mentalidade que grande parte da ‘elite intelectual’ não conseguia entender o teor da relação do público com o Lula por exemplo. Para uma porcentagem das pessoas, ele estava mentindo ao discursar sobre várias questões – mensalão por exemplo – e uma considerável parcela da população não via ou conseguia entender isso.
Como o presidente mentiria? Como o Corinthians pode ser algo que não é e mesmo assim continuar existindo como ‘gloriosa nação’? A aceitação de que de paradoxos é essencial a vida, e ainda mais, essencial para a democracia. O extermínio do descenso não faz bem a ninguém; ainda mais porque ele normalmente é burro, no exemplo do Corinthians a raiva recaiu, em grande parte, sobre Thiago Leifert: o apresentador.
Que assim como Lula foi/é é parte do processo, e não englobador do processo como um todo. Quanto mais a nossa sociedade brasileira ‘cresce’ mais latente fica a sua incapacidade de lidar com a complexidade real do mundo. Menos preparado é um brasileiro pra perceber que não existe, de fato, um único controlador do seu destino; mas sim muitas instâncias. Talvez por isso as igrejas do ‘Deus fácil’ abundem por aqui, ou o populismo barato ainda seja tão fértil. Talvez inclusive, por isso o futebol brasileiro tenha estádios tão vazios e torcidas tão violentas.
Porque somos incapazes, como sociedade, de intender que suporte ao esporte está além da ‘guerra de gangues’ e da exterminação do rival. O rival é parte essencial do espetáculo e do que gostamos de ver. Sem a oposição, o óbvio prevalece e no longo prazo as coisas degringolam. E Sócrates já dizia isso para Péricles, mas isso é para outro dia e outras ‘conversas’.
