Archive for the ‘Efemérides’ Category

O jogo inaugural da temporada 2015/2016 foi especial por todos os motivos e mais alguns. Primeiro, porque reuniu toda a equipa de uma assentada, algo que não acontecia há muitos anos – do british Sabino ao all-american Phillipe, ninguém falhou à convocatória para lembrar o número 8 André «Tricky» Ferreira. Segundo, porque marcou a estreia do novo equipamento, a farda vermelha e negra que marca a décima época coxeana. E, terceiro, porque acabou sem uma derrota coxeana – algo que, confirmam as estatísticas, também não é normal no primero jogo da época.

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Antes de a bola rolar, neste jogo que opôs Os Coxos ao Nogueira Team (ficou 7-7, obrigado por perguntarem) houve espaço para alguns momentos especiais. Uma sessão de fotos prolongada, um grito com dedicatória especial («Tri-cky!», em vez do habitual «Co-xos»), a entrega de uma camisola do eterno número 8 à família e um minuto de silêncio. «Porra, então mudaram-me o número e não avisaram?», lamentou-se Luís Miguel, ao perceber que a retirada oficial do algarismo 8 da numeração disponível o tinha feito voltar novamente ao 7 com que começou a sua carreira coxeana.

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Com nove jogadores disponíveis – os oito coxos mais o reforço de circunstância Luísa Rego -, o cinco inicial não foi fácil de decidir, mas a escolha acabou por recair na equipa inicial: Teixeira na baliza, Phillipe na defesa, Romano e Sabino no miolo e Luísa na frente. Ainda se pensou em meter o Rui a jogar de início, mas historicamente falando o banco sempre foi o seu lugar natural, e ninguém queria corromper a ordem natural das coisas. Lá em cima, numa nuvem abençoada, Tricky respirou de alívio ao ver Rui encostado ao banco.

Os Coxos apostaram num sistema 1x2x1 com alas a bascular em rapidez e com o miolo preenchido na fase de destruição. No ataque, privilegiaram a verticalização em detrimento do jogo directo, e pautaram todo o seu jogo pela troca de bola em profundidade. Subiam em bloco, e recuavam em formato de tridente. E foi por estas e por outras que ao minuto 7′ já estavam a ser humilhados com um 3-0 doloroso, imposto à força toda e sem apelo ou agravo. Teixeira, culpado em dois dos três golos, assobiava para o lado e pensava nos dados do Adolfo.

Mas a equipa não baixou os braços. Pires, sempre ele, conduziu o ataque pela direita e depois de brilhar pela qualidade fez-se notar pelo esforço: batalhou com o guarda-redes por uma bola perdida, recuperou o esférico, assistiu Romano e… golo dos encarnados. Romano inaugurou o marcador da época 2015/2016 com um potente remate de fora da área, a mostrar – 10 anos depois – que é um mito urbano a ideia de que tem uma meia distância fraca e mal colocada. Vai buscar, ó nogueirense…

O jogo continuou, com Os Coxos a levarem o perigo às redes adversárias. Pires, muito inspirado, e Luís Miguel, um valioso apoio, obrigaram o guarda-redes a aplicar-se várias vezes. A vantagem da Nogueira Team mantinha-se nos dois golos, e portanto era preciso mais. Sabino, porém, estava desinspirado – e Rui, esse, nem vê-lo. Quem não marca arrisca-se a sofrer e, num contra-ataque furtivo, o adversário acrescentou a injustiça ao marcador, num golo em que Teixeira voltou a não estar isento de culpas e que colocou o marcador em 4-1. Phillipe olhou para o chão e pensou no cabelo de Donald Trump. «Bela bosta», disse.

Chegava? Não, não chegava. Novo lance de ataque e… 5-1. O jogo estava a tornar-se humilhante. Luís já lamentava ter escolhido a equipa encarnada para começar a jogar.

Os Coxos podiam ter caído nesse momento, mas um homem trouxe-os do fundo do poço. Esse homem era Pires. O ponta-de-lança dos injustiçados, o avançado das noitadas, reduziu para 5-2 num lance individual que deixou os adeptos de olhos esbugalhados. Depois levou a bola pela esquerda e, ainda longe da área, chutou um bico que só parou com estrondo no fundo das balizas. O 5-3 permitia sonhar. «Caralho, Romano, foda-se, caralho», disse Pires – e pegou na bola e trouxe-a para o meio campo.

Pouco depois, novo revés. Lance de contra-ataque, 1×2 à frente de Teixeira, Phillipe falha o corte, Rui perde-se e estava feito o 6-3. Faltavam vinte minutos, e a diferença estava nos três golos. Os Coxos, desejosos de dedicar uma vitória, sabiam perfeitamente que o tempo era escasso, a força faltava e a esperança era pouca. Não fosse…

Bom, não fosse novamente Hugo Pires, que completou o hat-trick e colocou a diferença novamente em dois golos. Depois não sabemos bem o que aconteceu; porque fomos entregar uma t-shirt, tirar umas fotos e falar com a Luísa. Mas sabemos que, quando voltámos a espreitar lá para dentro, a equipa já tinha chegado ao 6-6! «Quem marcou o golo?», perguntou Romano, de caderno em punho. «Foram dois, carago, foram dois!» gritou Ivo Neto, assumindo o orgulho de ter sido o autor de um dos tentos.

Faltavam três minutos. Acaba-se o jogo agora? Mais três minutos, ainda há tempo de ganhar. «Está quase a acabar, pessoal, está quase a acabar», gritou Romano para dentro do campo. O incentivo, que devia ter servido para subir a guarda e dobrar as atenções, teve o efeito contrário. A equipa parou, olhou atónita, perguntou se era para acabar o jogo… e lá estava o 7-6. Faltavam três minutos e estava reposta a injustiça no marcador. A derrota parecia certa.

Mas Os Coxos não desistiram. Caíram em cima do adversário, provocando um sufoco que se sentia até nas transmontanas terras de Valpaços. Canto na direita – e Luís rematou ligeiramente por cima. Lance na linha – e Romano obrigou o guarda-redes a defender para fora. Tiro de Pires… e bola no ferro! Era demasiado injusto. Até que, mesmo no último minuto, Sabino e Pires combinaram e Luís, frente a frente com o guardião, não perdou.

O jogo acabou nesse momento, com um 7-7 que premiou o esforço das duas equipas. Foi um espectáculo bonito. Não sabemos se o Tricky estava a ver – mas se estava, deve ter gostado da homenagem.

Teixeira: 13 – Começou muito mal, com culpas em dois/três dos quatro golos iniciais. Mas foi subindo de rendimento ao longo do tempo, e acabou em grande, a negar um punhado de golos ao adversário. A forma como combate o regabofe socialista está claramente a ajudá-lo a limpar a pândega que reina naquela defesa. A nota só não é melhor pelas desatenções iniciais.

Phillipe Vieira: 11 – Phillipe já não jogava pelos Coxos há… há… bom, há muito tempo, certamente. Mas o regresso foi em grande, assumindo-se como peça absolutamente fulcral nesta partida. Não só encomendou, pagou e levantou os equipamentos como ainda tratou de toda a logística associada à efeméride dos 10 anos e das homenagens. Também deu uns toques em campo, e segurou bem a defesa. Capitão uma vez, capitão para sempre.

Pedro Romano: 13 – Marcou o golo inaugural e esteve sempre afoito na defesa e pressionante no ataque. Acabou por sair muitas vezes para dar lugar a outros, mas quando esteve em campo nunca comprometeu e deu sempre o máximo em prol da equipa. Fez todos rirem quando assumiu a responsabilidade de marcar um livre de meia distância (lol) e fez todos chorarem depois de enviar a bola para as couves.

Marcos Sabino: 12 – Sabino não esteve mal, mas a verdade é que dele os adeptos esperam sempre mais. Defendeu bem e atacou com velocidade, mas faltou sempre alguma precisão no remate, alguma velocidade no passe e algum músculo no choque. Acabou por marcar um golo de belo efeito, mas de um jogador que já ganhou por duas vezes a Bola de Ouro Coxeana, duas vezes o prémio de melhor marcador e três vezes o troféu de Rei das Assistências os adeptos esperam sempre mais.

Ana Luísa Rego: 8 – Que nota se dá a quem começa do início mas acaba por sair a meio para não mais voltar, nunca jogou com a equipa e fez o primeiro jogo num grupo de homens? Andámos a oscilar entre um justo 10 e um merecido 20… mas ficámos pelo 8. Porque provavelmente é o número favorito dela. Só o Rui não gostou da experiência («Se a Luísa fica na equipa é desta que nem sequer aqueço o banco»).

Rui Rocha: 10 – Discreto, discreto, discreto. Nunca conseguiu carregar a arma e disparar o seu poderoso pé canhão, nem assumir-se como a referência ofensiva (e gay) que na verdade é. Porém, também conseguiu controlar a quantidade de bosta que fez na defesa, o que é um ponto a seu favor. O «10» teve um «10», o que também não deixa de ser um valor bonito.

Ivo Neto: 14 – Pujante e sóbrio na defesa, Ivo – ou Netinho, como chegou a ser apelidado quando assumiu uma curta carreira musical em terras de Vera Cruz – entrou tarde mas em boa hora na partida. Foi uma rocha na defesa, um verdadeiro muro intransponível no qual os adversários batiam invariavelmente quando tentavam furar a rectaguarda coxeana. Revelou também uma grande cabeça dura quando, mais tarde, marcou jantar no D. Frango e se esqueceu, por lapso, de referir que a bebida e o jantar eram à discrição. Mas marcou um golo e jogou bem, por isso ninguém ficou chateado.

Luís Miguel: 14 – Esteve bem na construção e foi sempre um aliado precioso de Pires na altura de apertar a defesa adversária. Não está na forma que revelou há duas ou três épocas, mas acrescenta sempre alguma classe quando toca na bola. Ponto a favor, que acaba por justificar a nota: fez o golo do 7-7 final, num momento em que já ninguém achava que era possível.

MVP – Hugo Pires: 17 – Que jogo! Um hat-trick, duas assistências, fintas a torto e a direito e até insultos ao capitáo Phillipe Vieira – houve de tudo, neste jogo que fica para a memória (ou para os anais) da História Coxeana. Foi sem dúvida alguma o abono de família d’Os Coxos, acreditando – e marcando – quando já todos começavam a vacilar. O seu segundo golo – terceiro da equipa é um hino ao futebol, fazendo lembrar o Mantorras dos seus melhores tempos.

Para a memória fica a foto de conjunto. Olha tanta gente conhecida.

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Imagem da nova camisola Coxeana

Detalhe da nova camisola Coxeana

É já este sábado, 12 de Setembro, que Os Coxos FC marcam o arranque da temporada com um jogo amigável em casa do sempre temível Nogueira Team. O encontro servirá de homenagem ao nosso grande amigo Tricky, conhecido pelo resto da sociedade civil por André Ferreira. Temos saudades dele e não conhecemos melhor forma de honrar a sua memória do que apertar os cordões das sapatilhas e saltar para dentro da quadra. Tricky, este será para ti.

Os Coxos estão a comemorar 10 anos de existência e vamos apresentar um novo equipamento, o Equipamento Tricky, evocativo dessa mesma efeméride e que também faça homenagem ao nosso camarada desaparecido.

A bola começa a rolar às 20h no Pavilhão Desportivo de Nogueira, mas o encontro de amigos começa às 18h na Igreja de Nogueira, concelho de Braga, onde haverá lugar a uma missa pelo Tricky. Após o desafio, há jantar no Dom Frango. Estão todos convidados.

Coxos Sempre!

Equipamento Tricky, costas

Equipamento Tricky, costas

A Instituição Coxeana inaugura oficialmente a época 2015/2016 com um jogo de homenagem ao saudoso André Ferreira, também conhecido como Tricky. É já no próximo sábado, dia 12 de Setembro, pelas 20h00, no pavilhão de Nogueira. O jogo será precedido de um lanche-convívio, entre Os Coxos e o adversário, o Nogueira Team. Haverá ainda lugar à apresentação dos novos equipamentos, evocativos dos 10 anos Coxeanos, que se celebram esta época. Apareçam.

TRICKY

RIP Tricky

Posted: Julho 17, 2015 by Os Coxos in Briefings e notícias, Efemérides, Vida interna Coxeana

O Tricky foi sepultado ontem, em Nogueira (Braga). Estava lá imensa gente: amigos, colegas de trabalho, família, até alguns professores. Nós também lá fomos para lhe dar o último adeus, mas mesmo agora, passadas 48 horas da sua partida, ainda nos estamos a habituar à ideia de que, a partir de hoje, as fotos de grupo vão passar a ter um lugar por preencher lá no meio. Restam as memórias dos últimos dez anos. E os últimos dez anos foram assim.

Foi uma década bonita. Vais deixar saudades, pá.

 

Longe da vista, mas perto do coração. O eterno capitão Phillipe deixou Os Coxos em Setembro de 2011 mas continua bem presente na memória de todos os adeptos. Agora, a recuperar de uma intervenção cirúrgica ao joelho direito, o capitão de todos os Coxeanos fala abertamente com o repórter Pedro Romano e à CoxosTV comenta a actualidade da equipa perneta, a sua longa recuperação e não foge à pergunta mais importante de todas: para quando o regresso?

Entrevista conduzida via Satélite Coxeano, numa ligação entre Lisboa e Atlanta.

Vídeo comemorativo da I Gambotaça

Posted: Dezembro 6, 2012 by Os Coxos in Efemérides, Multimédia

Os Coxos não ganharam, mas chegaram à final. Tricky foi o melhor marcador, com 11 tentos, e Sabino chegou à marca dos 102 com a camisola coxeana. O suficiente para celebrar com o vídeo seguinte.

O Ronaldo anda triste porque acha que ganha mal. Ou porque o Messi é melhor. Ou porque está solidário com a tristeza dos portugueses que, por sua parte, andam tristes porque de São Bento lhes cortam os salários e pedem mais sacrifícios. Mais tristes ficam quando olham à sua volta e vêem que os tubarões não partilham das suas preocupações, continuando a fazer a sua vida como se à sua volta nada tivesse mudado.

Em épocas de pesar e consternação, é necessário que surja das trevas uma luz que ilumine o povo e o conduza à salvação. É imperioso que algo, ou alguém, nasça das cinzas e mostre que existe alternativa, que a esperança não morreu e que a coragem não é uma invenção dos mestres da ficção. Os cidadãos de Metropolis têm o Super-Homem, os cientologistas tiveram e têm L. Ron Hubbard, o Império Galático tem Darth Vader e os adeptos d’Os Coxos têm o Sabino.

Numa partida difícil, num jogo com desfecho incerto, numa altura em que a adversidade parecia ser grande e forte demais para os heróis de vermelho, el nine apareceu e apontou o caminho da salvação, da glória e da recuperação. Não foi uma jornada fácil, nem uma epopeia particularmente agradável de se assistir. Mas foi intenso, emocionante e rigoroso. Houve tempo para sangue, suor e lágrimas, para o desespero e a cólera, para a dúvida e, depois, para a certeza que o fim estava próximo e a derrota inevitável.

E foi nessa altura, nesse momento em que a escuridão era mais negra, em que a luz não passava de um desejo envergonhado, em que mais do que aceitar já se tinha aprendido a viver com a derrota, que ele surgiu, mergulhado numa poça de suor, do seu suor, e liderou a derradeira e vitoriosa cavalgada sobre o adversário. Qual Churchill de charuto no canto da boca e um copo de brandy arménio na mão, Sabino inspirou a Nação honrada, o Império virtuoso a bradar contra o destino, a recusar a mão que lhe tinha sido dada, e a levantar-se contra o opressor. A uma só voz o povo Coxo resistiu à tirania e derrotou o inimigo.

O capitão jamais abandona o navio, mas por vezes empresta-o a outro comandante igualmente capaz de o navegar. E foi mais ou menos isso que aconteceu há um ano n’Os Coxos. O fundador, presidente e capitão deixou a equipa mas o poder não ficou na rua. Um ano depois, Phillipe regressou ao Centro Paroquial de Ferreiros e encontrou uma equipa Coxeana mais desenvolta, mais virada para o ataque e, acima de tudo, campeã.

Como qualquer underdog que de repente se vê no cimo da cadeia alimentar, os Coxos padecem de alguma soberba e, ao mesmo tempo, do receio que da noite para o dia alguém lhes venha dizer que afinal não ganharam nada, um bocado como o Rocky Balboa no terceiro filme. Não conseguem acreditar que, de facto, são campeões e, por isso, vivem com medo.

E isso nota-se no jogo da equipa. Inicialmente, desenvolto e atrevido, seguro e consistente. Rapidamente os Coxos chegam à baliza contrária, graças às acções de Pires (“que belo reforço” ouviu-se o capitão original dizer da bancada) e de Sabino, apoiados pelo viril Tricky e o delicado Romano. A baliza continua a ser o templo de Teixeira, o banco o habitat de Rui e Luís o Joker, o coelho que o Coxo por vezes saca da cartola. Porém, tal como um rapaz cheio de pinta na discoteca, também os Coxos têm os seus momentos de dúvida durante a partida. E essa intranquilidade, normalmente, resulta em golos dos adversários.

Antes da partida começar, a primeira da temporada, destaque para dois momentos especiais: O primeiro, a apresentação dos novos equipamentos Coxeanos. Depois de um uniforme completamente encarnado, outro com camisola branca e calção vermelho, só faltava mesmo inverter essa ordem e regressar à camisola encarnada e deixar o branco para o calção. A meia, essa, continua vermelha.

Todavia, o punctum destes novos equipamentos tem de ser o novo logo Coxeano, o símbolo que une toda a Nação foi actualizado e ao mítico perneta foi acrescentada a estrela correspondente ao título conquistado na época passada. A estrela, essa que se vê acima do emblema, reluz e mostra bem o orgulho Coxeano pela significativa conquista da época passada.

Para lá do equipamento houve lugar para o regresso de Phillipe. Equipado a rigor, mas sem poder jogar devido a complicações clínicas associadas a nova lesão no joelho, que apenas robusteceu os efeitos da lesão original, contraída a 12 de Janeiro de 2011 em partida contra o We Shall See, o velho capitão deu o pontapé de saída, cumprimentou o público, emocionou-se, abraçou os seus colegas e retirou-se para a bancada. Foram os seus cinco minutos de glória neste regresso a casa. Contudo, a noite não era dele e dele também não será esta crónica.

Rapidamente, os Coxos assumiram o domínio da partida. Os Suicidas Brácaros, temível rival, não conseguiam articular uma jogada ofensiva e o basculamento Coxeano ia chegando para assentar arraiais no meio campo do adversário.

Não foi por isso de estranhar que em poucos minutos Sabino, primeiro, e Pires, depois, inauguraram e reforçaram a marcha do marcador a favor da equipa Coxeana. O jogo parecia estar controlado, os equipamentos mais brilhantes que nunca e o adversário dominado.

Mas em poucos minutos tudo mudou. Sabino e Pires sentaram-se no banco e a equipa ressentiu-se da falta deste duo dinâmico na frente. Com demasiada gente atrás, com Tricky a fazer as transições e Luís algo perdido no último terço do piso, os Coxos entraram em modo Rocky III, quando o pugilista de Filadélfia cai perante Clubber Lang, o violento e bruto adversário que não se importa de quebrar as regras para conseguir o que quer. Desconfiados e inseguros sobre a sua valia, os Coxos permitiram aos Brácaros reduzir e empatar em poucos minutos.

É certo que Sabino, sempre ele, fez o 3-2 mas a vantagem Coxeana foi sol de pouca dura. O empate foi consentido rapidamente e, pior do que isso, depois de se terem deixado empatar, os Coxos deixaram o adversário sonhar com a possibilidade de levar uma vitória de Ferreiros. O bis de Luís não foi suficiente para afugentar os adversários que transformaram um 5-4 que lhes era desfavorável para uma vantagem de 7-5 que incluiu um golo de cabeça na pequena área. Teixeira estava desesperado.

A noite parecia instalar-se sobre a equipa Coxeana. A camisola nova carregava o fardo do sacrifício dispendido. Romano protestava, Tricky olhava para o chão, Luís já não mandava beijos para a plateia, Teixeira queixava-se de falta de solidariedade junto dos postes, Pires discutia questões tácticas com o cameraman e Rui il Directore Rocha pensava em coisas latinas. Foi nesse momento que Bino, sempre Bino, saltou para dentro da cancha e pegou no jogo.

Bem apoiado por Pires, que já tinha reduzido a diferença no marcador, e num lance memorável, Sabino fez a diferença. Em tabelinhas sucessivas, o avançado de Gaia encontrou-se na zona de tiro e não se fez rogado. Perante o guarda-redes, e embora pressionado por dois defesas, o protótipo do homem Prozis encontrou espaço para finalizar e empatar a partida a 7.

Lento a registar a mudança no ânimo Coxeano, e cheio de vontade em sentar-se no banco, Rui esqueceu-se de fazer a marcação ao avançado contrário e, com menos de dois minutos para jogar, permitiu que os Suicidas dominassem novamente no marcador, colocando as coisas em 7-8.

Mas foi neste momento que a estrela na camisola começou a resplandecer mais forte e os Coxos seguiram os passos de Sabino. Primeiro foi Luís a aproveitar uma infantilidade do guarda-redes contrário para, do meio campo, restabelecer o empate. Com o resultado em 7-7 e o relógio do árbitro quase a despertar para o banho, faltava tempo para resolver a partida.

Cansado, descarregado e moído, Sabino poderá ter pensado em desistir, em baixar os braços. Na verdade, ele já tinha marcado três golos, criado outros tantos, deixado a cabeça dos adversários em água e encantado as 3 mil pessoas presentes na bancada. Não era necessário que ele fizesse mais alguma coisa para deixar a sua marca na partida. Mas fez.

Endiabrado, Sabino soltou-se mais uma vez no ataque, isolou-se e disparou. Teria sido muito mais digno de registo se tivesse marcado mas, desta vez, o guarda-redes não deixou. Sabino não festejou. O seu remate foi defendido e a bola saiu pela linha final. Canto marcado, bola ao primeiro poste e Romano, o discreto general de batalha, encostou com fidalguia e mistério para o fundo das redes. Sem espinhas. Em campo, todos festejaram.

O árbitro do bigode deu logo por terminada a partida. O suor foi esquecido e os sorrisos transbordaram das hostes Coxeanas. Finalmente, um suspiro de alívio. A vitória era de todos mas se tem de ser atribuída a um dos vários heróis Coxeanos, só há um nome que a pode reclamar: Sabino, o pesadelo dos adolescentes, o terror dos guarda-redes, o susto de todos os pais por esse país fora, o melhor medicamento contra a tristeza.

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Notas:

Teixeira: 14. Um par de boas intervenções chega para equilibrar a balança de pagamentos de Teixeira. É verdade que sofreu 8 golos mas não deixa também de ser verdade que os seus colegas na defesa esqueceram-se de o ajudar demasiadas vezes, deixando-o sozinho contra o Mundo. A falta que deve ter do capitão.

Romano: 15. Marcou o golo da vitória e esse mérito ninguém lho tira. Contudo, complica demasiado na hora do remate, preferindo sempre mais um adorno, mais uma finta, esquecendo que no futebol ganha quem mete a bola lá dentro e não quem faz mais passes sem olhar para onde está a enviar o esférico. Certinho e regular na defesa, é talvez o Coxeano que melhor entende o movimento defensivo.

Tricky: 15. Sem poder de explosão, o jogo do peludinho de Nogueira ressente-se bastante. Tricky está em ritmo de início de temporada e, por isso, as arrancadas não acontecem, os remates saem longe da baliza e as tabelinhas estão demasiado presas. A vontade está lá, o empenho inegável e a categoria incontestável. Mesmo se ele quisesse, não poderia jogar mal.

Pires: 16. Pires deve ter sonhado durante anos jogar ao lado de alguém como Sabino. O recém-chegado e recém-vencedor do Coxo Ouro entende-se quase de olhos fechados com Marcos, facilitando a criação de espaços que ambos vão aproveitando. Pecou na finalização, demorou a entender o reajuste defensivo do adversário mas é um jogador fantástico que cria sempre problemas às defesas contrárias e é permanentemente solidário na hora de ajudar a defesa. Complementa Sabino e a ele se deve grande parte do mérito pela mudança da atitude Coxeana e o novo jogo mais ofensivo da equipa perneta.

Sabino: 18. Quando a chuva não cai, os índios rezam aos deuses a pedir que ele abra a torneira. Quando a equipa não consegue fazer a bola chegar ao último terço do piso, os Coxos rezam a Sabino e pedem-lhe para mostrar-lhes o caminho. Três golos, assistências para Pires e Luís, presença em praticamente todos os lances de golo e de perigo da equipa são algumas das marcas do cartão de visita de Sabino nesta partida. Os Suicidas não encontraram antídoto para Sabino, inscrevendo o seu nome na longa lista de equipas que caíram perante o perfume de Marcos. Não há volta a dar-lhe: Sabino é fundamental e a sua presença em campo é fulcral para garantir o sucesso Coxeano. Sem ele, a equipa perde presença no ataque e expõe as suas limitações defensivas. Pelo que joga e faz jogar, pelo que não deixa o adversário jogar e pelo medo que nele incute, Sabino é, provavelmente, o mais decisivo jogador da história Coxeana.

Luís: 17. Está encontrada a melhor utilidade para Luís: arma secreta. Sentado no banco, quase esquecido, permite ao adversário imaginar que se trata de um frágil jogador de xadrez, uma dócil e inofensiva tartaruga. Contudo, quando entra em campo, Luís transforma-se e apresenta-se como uma raposa, sagaz, arguta e perspicaz, com olhos para a baliza e pouco mais. Por vezes, descuida-se nas tarefas defensivas mas compensa isso com ameaçadores ataques e um talento natural para combinar com quem estiver a jogar com ele no ataque. Um dom apenas ao alcance de quem sabe jogar. Três golos deliciosos ajudaram a fazer a diferença.

Rui: 14. O pontapé canhão ainda lá está mas a visão afunilada do jogo também. E esse pecado contamina todo o jogo de il directore. Esquece-se de adversários nas costas, não faz as dobras e é lento a ler o movimento dos rivais. Com trabalho específico, tem mais do que atributos para chegar a um nível mais elevado e ser um elemento ainda mais válido para a estrutura Coxeana, um exímio defesa e um perigoso atacante. Agora, isso não acontece passando três horas por dia a pensar na América Latina. Complicou nalguns lances, resolveu outros. Para a história fica uma exibição tranquila, mas Rui pode fazer mais e melhor.

Errata: O jogo terminou 9-8, com golos de Romano, Pires (2), Sabino (3) e Luís Miguel (3)

Brio, paixão, furor, suor, hormonas, triglicéridos e filamentos de DNA. Foi no meio de uma imensidão de coisas bonitas e biológicas que a turma encarnada se sagrou ontem campeã de Comunicação Social/Ciências da Comunicação. Num torneio intenso de três jogos, a Instituição meteu vários, sofreu menos, ganhou dois jogos e uma taça. “A I Liga Inter-Gerações é nossa!” foi o grito que ecoou até às 21h15 de ontem no pavilhão desportivo do Arminho.

Há vídeos e registos dos jogos, mas ninguém suficientemente sóbrio (ontem começou o Enterro da Gata…) para contar fielmente esta história bonita que se escreveu em tons de vermelho. Enquanto os vídeos e as crónicas não estão disponíveis, fica aqui assinalada a primeira vitória coxeana num torneio oficial, conseguida a custo com duas vitórias (5-0 aos We Shall See e 8-0 à Federação Desportiva Psicopito) e apenas uma derrota (3-0 às mãos dos Squadra Azurra). Em oito anos, é obra.

Um obrigado especial aos FDP, que organizaram (mal) a coisa, à Squadra Azurra, sem a qual apenas haveria três equipas para jogar, e aos We Shall See, por terem, através de uma vitória épica sobre a Squadra, permitido aos Coxos levaram vantagem no goal average. E, em baixo, pode ver o vídeo comemorativo desta grande jornada vitoriosa.

Cinco anos e 50 jogos depois, Sabino continua igual a si mesmo: humilde, sincero e… vencedor. Na semana em que se tornou o primeiro jogador perneta a completar cinco dezenas de partidas com o equipamento encarnado e branco, Marcos Sabino deu uma entrevista ao blogue em que fala do actual momento de forma e das propostas para sair. Uma entrevista a não perder do atleta que se assumiu definitivamente como a grande estrela coxeana, levando já 20 golos em apenas 6 jogos na presente época.

De referir ainda que a página do atleta foi actualizada. O peso aumentou de 63 para 71 quilos e a debilidade “falta de resistência” foi retirada da nota técnica.

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Marcos, como se sente por ser o primeiro jogador coxeano a chegar aos 50 jogos?

Fico muito satisfeito por ter atingido esta marca. Este número revela a minha grande dedicação a esta equipa e se cheguei até aqui foi por ter uns bons companheiros de equipa, que sempre me ajudaram neste percurso e sempre me motivaram a jogar. A eles o meu muito obrigado. Espero poder fazer outros 50.

Em meia centena de partidas, já fez de avançado, ala e defesa. Em que posição se sente melhor?

Actualmente gosto de jogar nas laterais. Ala, portanto. O meu treino intensivo (que passa por 3 idas semanais ao ginásio, uma sessão de exercícios de velocidade e aceleração na rodovia e exercícios de agilidade ao fds com uma escada de agilidade) deu-me condições para poder ser um jogador razoavelmente explosivo. Tenho desenvolvido a minha capacidade física e a força física e sinto-me bem a correr pelas alas.

Esta época está em grande forma e já marcou 20 golos em 6 jogos, atirando para 68 o número de tentos ao serviço d’Os Coxos. Onde está o segredo do seu sucesso?

Trabalho, muito trabalho. Não há segredo nem milagres. Se queres estar em forma tens de fazer por isso. O Sabino de hoje não é o mesmo Sabino de há 3 anos e até mesmo de há 6 meses. Nestes últimos 2 meses tenho trabalho muito para melhorar a minha condição física e isso, naturalmente, traduz-se em jogos mais bem conseguidos. E isso é bom porque permite aos Coxos terem melhores argumentos para defrontar as outras equipas. Naturalmente que um bom plano de nutrição também ajuda a desenvolver a endurance.

Fala-se muito em “dar o salto”. Tem ambições a esse nível?

É verdade que neste momento o meu empresário, que por acaso é o meu tio, pretende colocar-me a jogar futebol 11 e essa é uma ideia que me agrada. Mas caso isso se venha a confirmar, uma coisa é certa: nunca esquecerei a fantástica equipa d’Os Coxos nem deixarei de estar ligada à mesma. Continuarei a estar disponível para ganhar jogos pel’Os Coxos, mediante a minha disponibilidade. Mas isso é algo que só em Agosto se saberá.

O que sentiu quando marcou o quarto golo contra os FDP? Foi o momento mais alto da sua carreira?

Foi um golo de bela execução, é verdade. Mas o mais importante naquele momento foi dar mais tranquilidade à equipa, já que estávamos a fazer o 4-2. Não podemos também esquecer o grande passe do capitão Phillipe, que teve uma bela visão de jogo. Sinto que o momento mais alto da minha carreira ainda está para acontecer.