"E, nos murmúrios do vento, vão-se os meus silêncios"" (Sonya Azevedo)

 

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Bendita Sincronia

Bendita Sincronia

Ó tu que adentras pela madrugada,
Por este furacão que a noite gera,
Trazendo-me e a minha alma, esta quimera
E, ao luar, uma luz deambulada.

Vejo-te da janela embaciada
Pelas brumas da aurora que minera,
Nas estrelas anosas, as mil eras
Dos versos que me dás, agraciada.

Tu, que me trazes vida, até ternura,
És verbo, és norma nessa lei secreta
Da qual me faço inteiro e refletido.

Nesta sincronia, há forma e ventura,
No exato instante em que a lira e o poeta
Misturam-se no canto mais bendito,

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O Monstrengo


O Monstrengo

Inspirado no poema homônimo 
de Luiz de Camões

Ó, vendaval, agitador dos mares!
Tu que despertas vagas assassinas,
Trazes o monstro em sombras tão ladinas,
Mas não o afogas; sobes-lhe aos altares.

Uivas qual lobo e não há quem te pare!
Até os véus da nau, tu já bolinas.
Roças na quilha essa boca traquina,
Para que da maré não te separes.

Avivas sons estranhos nesse mar;
Vozes dos mortos que esse abismo herdou:
Reino de Poseidon, verbo ceifar.

Ó, monstro, quem cobiça este apogeu?
Findar a voz que o pélago calou?
Saudade é grito de quem lá ficou.

Sonya Azevedo


Peço desculpas pela ausência demorada,
mas encontro-me acometida de LER,
o que tem me impedido de digitar e crias as imagens.
Desejo a todos um Ano Novo de muitas criações,
muitas alegrias, saúde em abundância e 
o sempre abençoado amos.
Luz e paz.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Terra Verde Carmim



O carmesim que tinta
O chão ferido
deste verde,
É mácula
Que lacera a
Ferida dos dias....

São tempos parados
Não vividos
De gritos escondidos
Na beira dos rios.

São olhos de peixe
Apodrecidos
Na lama
Da algazarra
Do planalto
Que lambe
O dulçor da perdição.

São versos proibidos
No silêncio
Das ramas
Dos gorjeios das aves.

São asas podadas
Do vento
Que secam 
Esperanças
Com o sal do pranto!