
Depois de ter obtido esta fotografia, de uma carrinha de passageiros de uma colectividade daqui da freguesia, com a data da inspecção ultrapassada e o selo do seguro que dizia respeito a outra viatura, contactei a direcção por escrito:
Caros membros da Direcção. Para informar que a vossa carrinha de passageiros não tem a inspecção em dia nem seguro, pelo que não devia andar a circular. Cumprimentos. Paulo Tenreiro
Em resposta recebi:
Caro sócio, agradecemos a atenção, mas está enganado em relação ao essencial! Em relação ao resto, a direcção cá está para assumir as responsabilidades do equipamento que disponibiliza para as diferentes atividades. A intensa utilizaçao nas atividades e nos sucessivos pedidos de cedencia, implicam alguma degradação, para a qual a manutenção implica a paragem do equipamento e a respetiva indisponibilidade do mesmo, situaçao que quem vive com a realidade das coletividedas está habituado a lidar e a assumir. Contudo, para quem quizer estar informado, a direcção disponibiliza-se para tal !
Eu julgava que o essencial era zelar pela segurança dos sócios e utentes da viatura e para isso, é fundamental; que a utilização seja feito de acordo com as regras de utilização destes equipamentos.
A responsabilidade era pararem com a utilização da viatura se a mesma não está em condições.
Mas parece que não.
Sempre a aprender com quem sabe, mas que teria sido mais inteligente, na minha opinião, um “Obrigado pelo aviso, vamos tratar de regularizar a situação”.
Desde que o Café Cruzeiro fechou, que a minha entrada em idênticos espaços é feita raramente. Não porque o Café Cruzeiro fosse muito diferente dos outros, mas porque existiu uma habituação de sermos recebidos por amigos.
Recordo o ultimo dia de funcionamento com nostalgia, em que a minha família foi em peso despedir-se daquele local, onde todos nós passamos momentos agradáveis. Guardo ainda o copo de fino que me “devolveu” com o meu nome gravado e que simboliza para mim a amizade com que eu e toda a minha família sempre fomos recebidos naquela casa.
Quando fui despertado da letargia pré-sono em que estava mergulhado, com a notícia que o Sr. Carlos Tomé tinha falecido, tudo foi transformado em tristeza.
A minha homenagem a um bom homem e a um grande amigo
Depois de um Domingo em serviço, uma deslocação relâmpago até ao ponto mais alto de Portugal Continental. Algumas redes montadas para aumentar a eficiência de captura pela manhã, identificados alguns locais para colocação de mais redes e ainda a definição de algumas estratégias, ficando eu com a responsabilidade de montar as armadilhas com recurso a isco vivo.
Depois, foi dar uso aos sentidos, pois o que nos esperava para ser apreciado ao jantar, justifica todo o nosso empenho. Um aviso à navegação: se o quiserem apreciar, escolham-no para almoço, pois terão todo o tempo do mundo para usufruir o melhor cabrito que já comi na minha vida.
Ora vamos lá ao cabrito recheado de Erada
Falaram numa espécie de cenoura branca com polme para abrir o apetite. Não fixei o nome, mas o sabor era precioso. O que se seguiu foi obra de uma cozinheira que ultrapassando os 80 anos de idade, sabe com toda a certeza, como nos deixar de olhos esbugalhados, a provocar a excitação das narinas e a inundar-nos as papilas gustativas de alguns sabores que não consegui descobrir.
Mas o resultado é fantástico e louve-se o esforço do Pedro Lopes e da família em o proporcionar.
O dia seguinte foi uma descoberta de novas espécies, outras afastadas das mãos durante longo tempo, numa jornada de trabalho, onde alguns amigos estiveram juntos.