Desde que aderimos à comunidade que as políticas de pescas de todos os países são definidas em conjunto. Ou seja, temos quotas de pesca que temos que cumprir. O mesmo acontece no leite ou outros produtos agrícolas. Portanto, esta notícia também podia ser: perdemos o direito às nossas vacas, pois não podemos produzir o leite que queremos. Portanto, o que se passou com a Constituição Europeia foi passar para o papel uma coisa que já era evidente. Portanto, Portugal continua a ter a sua ZEE, onde continua a exercer a sua soberania em termos de fiscalização, recursos minerais e pesquisa científica. E já agora esta regra é válida para todos os países da União Europeia. Portanto, a Espanha, a França, a Itália etc.. também estão na mesma situação e nenhum deles protestou. É que a notícia dá impressão que Portugal foi a única vítima do artigo constitucional.
O que os nossos pescadores deviam pensar é se estão à altura dos espanhóis em termos competitivos. É se conseguem meter o peixe no mercado ao mesmo preço que os espanhóis. Isso é que os devia preocupar. Na Agricultura não temos conseguido fazer isso, o que mostra que talvez os fundos comunitários que jorraram para a Agricultura e Pescas nos últimos 18 anos não tenham sido bem aproveitados para a nossa modernização e capacidade competitiva. Portanto, o ministro ontem tinha razão em avisar os pescadores. Preocupem-se é com a competição, não com a constituição.