Quanto ao ser feliz realmente a nossa vida é feita de períodos felizes e infelizes. De períodos luminosos e mais sombrios. Mas é bom que nos períodos mais sombrios da nossa vida ou que nas crises de meia-idade a gente olhe para aqueles que têm doenças incuráveis, para aqueles que vivem paralisados, para aqueles que vivem na mais absoluta das misérias ou no mais absoluto sofrimento e nos lembremos da sorte que temos em não estar assim também. Da sorte que temos em viver razoavelmente bem em ter saúde, casa, emprego, família, o amor e cuidado dos outros, ou seja, tudo para ser feliz. E é nestes períodos mais sombrios que temos que encontrar forças para viver, que temos que encarar a realidade como ela é. É bom não ter uma doença, é bom não sentirmos dores no corpo, é bom ter o amor e o carinho dos outros, é bom ter que comer todos os dias ou uma casa que nos sirva de resguardo. É bom ter um emprego de que gostamos, ter pessoas que se preocupam connosco, ter uma família à nossa volta, poder encarar a vida com algum conforto e tranquilidade. Muitos não têm nada disto. E é nisso que se calhar devemos pensar quando estamos mais deprimidos, quando estamos mais em baixo. Que há quem viva com muito menos e muito pior e mesmo assim vive feliz.
