Ao contrário do que diz o Vladimiro Jorge no seu blogue sobre a temática do Parque Industrial, o tema não está suficientemente esclarecido do ponto de vista histórico. Porque se estivesse ele não dizia o que diz.
Não está em causa neste processo tirar o mérito que o Partido Socialista teve na idealização do projecto. Como também não está em causa, o esforço que foi feito pelos executivos seguintes para avançar com a obra. Nunca o faria, pois sei que tantos uns como outros trabalharam para tornar o Parque Industrial uma realidade.
Agora isto não significa que não tenham sido cometidos erros na gestão do processo, que se tentam agora ocultar. E é contra isso que estou. Como também estou contra as confusões que se fazem dos factos.
É um facto que a Câmara de Estarreja recebeu do último governo de Cavaco Silva, 82 hectares de terrenos. Nunca o neguei, só que não foram todos na zona prevista para o Parque Industrial. Quem faz esta afirmação devia ter noção disso e não devia criar a ilusão que a Câmara tinha em 2001, grande parte dos terrenos para avançar com a obra de infra-estruturação do Parque, pois não tinha como se pode ver pelo mapa que já mostrei aqui. Quem faz afirmação não sabe obviamente onde param os 82 hectares? E fala de forma generalista sem dizer onde estão os terrenos.
O mapa que mostrei aqui também é um facto e mostra a situação que tínhamos em 2001 para a 1ª consignação. Faltavam ainda comprar muitas parcelas e o executivo de Vladimiro Silva estava justamente a fazer essas compras, o que mostra evidentemente que grande parte dos terrenos previstos para o Parque não pertencia à Câmara.
Ora quem mandava devia ter esperado um pouco mais até ter os terrenos suficientes para a obra avançar, mas devido à pressão eleitoral avançou para mostrar obra. Fez mal e deixou um problema bicudo para quem vinha a seguir.
É também um facto que o executivo de Vladimiro Silva foi avisado disto pelos técnicos da Câmara. E é também um facto que não ligou nada ao aviso.
Portanto, o problema dos terrenos é tão simples quanto aquilo que se vê no mapa. A grande parte dos terrenos que estão hoje no Parque foi comprada pela Câmara de Estarreja. Tanto no tempo de Vladimiro Silva como no tempo de José Eduardo Matos. E estamos a falar de 92 hectares. Sei que cerca de 10% desta área já estava na posse da Câmara em 2001. É possível que dentro dessa fatia uma parte estivesse relacionada com a oferta dos 82 hectares, mas seria uma pequena parte, pois a Câmara estava a comprar grande parte dos 92 hectares.
E isto é outro facto, pois os documentos e as escrituras existem para quem quiser ver e o processo está todo na Câmara Municipal. E, portanto, em vez de afirmações confusas, o que Vladimiro Jorge devia fazer era ver os documentos e ver como as coisas foram feitas. O mapa que divulguei foi um contributo nesse sentido. O que tenho escrito na imprensa local a mesma coisa.