Essa reportagem (aqui) ressalta a personalidade do deputado-eleito Paul Ryan que será o (poderoso) Chairman do Comitê de Orçamento da Câmara dos Deputados no próximo Congresso:
Ryan and other conservative critics argue that the Fed’s strategy to buy Treasury securities – and, in turn, create a new cycle of lending and hiring – amounts to little more than printing money and diluting the dollar’s value.
The Fed has no business cheapening the nation’s currency, Ryan says, even if a weaker dollar might provide a short-term elixir for struggling industries in his southeastern Wisconsin district by making American exports less expensive overseas while increasing the prices of imports sold in the United States.
“There is nothing more insidious that a government can do to its people than to debase its currency,” Ryan said.
Just as harmful, Ryan warns, is that the proliferation of newly printed dollars inevitably unleashes inflation and throws the economy out of kilter in other ways.
Na mesma reportagem, Bernanke não ajuda muito ao se defender apelando para o efeito do QE2 sobre as taxas de juros longas, dando a entender que a redução dessas taxas é o objetivo do Fed:
The Fed’s most common weapon is its ability to manipulate short-term interest rates; lowering them can accelerate the economy. But having already lowered rates to near zero to combat the recession, it was running out of options.
The Fed says its $600 billion plan is meant solely to boost the U.S. economy and lower unemployment. By buying long-term Treasury bonds, it will inject cash into the financial system and drive long-term interest rates lower, enabling American consumers to borrow and buy cars and real estate, and American businesses to hire, expand and buy new equipment. As a side effect, it’s meant to prompt investors to bail out of the bond market and channel their funds into equities, lending a feel-good lift to the stock market.
A “salada” analítica, que tem sido um importante impedimento para o encaminhamento de uma solução, pode ser visualizada nas duas figuras a seguir. A primeira, extraída do NYT, vai na direção de “corroborar” a posição dos “liberais”, para os quais a economia se encontra numa “armadilha de liquidez”, segundo a qual a política monetária não tem efeito. Apesar do fantástico aumento da base monetária no final de 2008, “nada de especial” aconteceu, com a atividade econômica se mantendo fraca e o desemprego elevado. Corre-se, assim, o risco de “repetir o Japão”! 
A segunda figura mostra o salto da base monetária. Enquanto que para os liberais essa é a “comprovação” de a economia estar numa “armadilha de liquidez”, já que não teve efeito na economia real, para os “conservadores” é sinalização de inflação em alta no futuro. 
No entanto, no contexto atual, a “base monetária” não é a base monetária. Com o Fed pagando juros sobre reservas as operações de mercado aberto são, literalmente, uma troca de “dívida por dívida” – dívida do Fed por dívida do Tesouro. Olhando a PM dessa forma deve ficar claro que o Fed não está sendo “expansionista” quando troca “dívida por dívida”. Mas isso não significa que ele não pode ser expansionista! Como Brunner e Meltzer mostraram há mais de 40 anos, a existência de uma “armadilha de liquidez” não é possível quando o modelo (ou a economia) possui um espectro de taxas de juros e não “a” taxa de juros como postulado em grande número de modelos.
Para entender porque, ao invés de “olhar” o PIB (Y) através dos seus “componentes” (C+I+G+(X-M)) no qual o mecanismo de transmissão da política monetária se dá através da taxa de juros via seu efeito sobre os “componentes”, deve-se “olhar” (de modo mais “monetarista”) via a ênfase dada aos efeitos da PM sobre preços relativos e à variedade de substituição de ativos (financeiros e não financeiros) decorrentes. Esse processo de substituição de ativos vai gerar efeitos reais e, ao final da história, o nível de preços vai subir de modo a igualar o estoque real de moeda com o estoque desejado. Mas aí, espera-se, a taxa de desemprego terá caído e a renda real subido para seu patamar “potencial”.
Desse modo, a capacidade do Fed em afetar os preços e retornos (yields) correspondentes de ativos financeiros através de operações de mercado aberto é essencial para entender os efeitos da PM. É nesse ponto que entra a política de “afrouxamento quantitativo2” (QE2). Ela não visa como muitos (inclusive Bernanke) dizem somente reduzir a taxa de juros longa. Essa “obsessão” com a taxa de juros, na verdade, é contraproducente (assim como falar em aumentar as expectativas de inflação). O objetivo do QE2, uma operação de mercado aberto não convencional, na qual o Fed “entrega” reservas que rendem juros e “toma” algo (pode ser título longo, uma carteira de ações, etc.) que não é um substituto perfeito, é aumentar a oferta de moeda e assim “resolver” o verdadeiro problema, que é o desequilíbrio monetário.
Infelizmente, Bernanke e o Fed fizeram tudo “errado”. A começar pelas posições antagônicas, com “debate” público entre os próprios membros do FOMC. Como não reconhece a responsabilidade pela queda abrupta da demanda agregada a partir do início de 2008, e dado o fato que tem grande “apego” pelo “canal de crédito” da PM, Bernanke insiste em falar de “redução dos juros” como meio de impulsionar a economia. Para Paul Ryan, a política adotada nada mais é do que uma forma de “imprimir moeda”, desvalorizar o dólar e causar inflação! Pior, para Ron Paul (que deve ser o chairman do subcomitê que supervisiona o Fed) o Fed deveria ser abolido! A “briga” no próximo ano promete ser quente!
Bernanke deveria ter silenciado sobre inflação e não deveria ter determinado um valor específico de compra de títulos (U$ 600 bi no caso). Como no caso do estímulo fiscal de 2008-09, muitos acham que é “pouco” e que vai haver necessidade do QE3… QEn. Muito melhor se tivesse reconhecido a “falha” em deixar a DA despencar e anunciar que o QE2 teria como objetivo reconduzir a DA para sua trajetória anterior (“meta”), como ilustrado na figura. Agora é tarde, o mal já está feito e da confusão nasceu a “desconfiança”, que paira sobre o Fed, Tesouro, Presidência e… Wall Street E não podemos esquecer: a crise na Europa que volta a esquentar… 
Update: Depois de escrever, vi que o Washington Post (WAPO) tem um take mais “benevolente” (aqui):
SOMETIMES IT SEEMS as if nobody loves the Fed. At the moment, the hostility emanates mainly from Republicans, who charge that Chairman Ben S. Bernanke’s plan to boost the economy through $600 billion in asset purchases will bring on inflation and currency debasement. Senior Republicans are talking seriously of amending the 1977 law that gave the Fed responsibility for maximizing employment as well as stabilizing prices.
But only 10 months ago progressive Democrats, seeking scapegoats for Republican Scott Brown’s win in Massachusetts, were threatening Mr. Bernanke’s appointment to another four-year term. Moveon.org charged that “after taking extreme measures to save the banks, Bernanke has shown no interest in helping regular folks who can’t find jobs, even though ensuring ‘full employment’ is explicitly part of his mandate.”
Update 2: Sobre a “desconfiança” com Wall Street, ver esse (longo) ensaio no New Yorker (aqui):
Financial markets, far from being efficient, as most economists and policymakers at the time believed, were grossly inefficient. “And once you recognize that markets are inefficient a lot of things change.”
One is the role of financial intermediaries, such as banks. Rather than seeking the most productive outlet for the money that depositors and investors entrust to them, they may follow trends and surf bubbles. These activities shift capital into projects that have little or no long-term value, such as speculative real-estate developments in the swamps of Florida. Rather than acting in their customers’ best interests, financial institutions may peddle opaque investment products, like collateralized debt obligations. Privy to superior information, banks can charge hefty fees and drive up their own profits at the expense of clients who are induced to take on risks they don’t fully understand—a form of rent seeking. “Mispricing gives incorrect signals for resource allocation, and, at worst, causes stock market booms and busts,” Woolley wrote in a recent paper. “Rent capture causes the misallocation of labor and capital, transfers substantial wealth to bankers and financiers, and, at worst, induces systemic failure. Both impose social costs on their own, but in combination they create a perfect storm of wealth destruction.”