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A Formação das Almas

O que dizem sobre a história de um país os monumentos erguidos em praça pública? Ou as bandeiras e hinos nacionais? Ou, ainda, caricaturas e charges tiradas das páginas de um jornal? José Murilo de Carvalho mostra, com a sensibilidade característica dos bons pesquisadores, como esse material pode ser de grande utilidade para se decifrar a mitologia e a simbologia de um sistema político.
Por meio de imagens, o autor nos oferece um curioso passeio pelo momento de implantação do regime republicano. Entre texto e ilustrações, aprendemos como os mitos de origem criados para a República, seus heróis, a bandeira verde-amarela e o nosso hino traduzem com fidelidade as batalhas travadas pela construção de um rosto para a República brasileira

166 pages, Paperback

First published August 23, 1990

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About the author

José Murilo de Carvalho

37 books49 followers
José Murilo de Carvalho é um cientista político e historiador brasileiro, membro desde 2005 da Academia Brasileira de Letras. Junto com o jurista e professor Celso Lafer, é o único historiador brasileiro a ser membro dessa Academia e também da Academia Brasileira de Ciências.

Professor da Universidade Federal de Minas Gerais e do IUPERJ por vinte anos, é também professor titular de História do Brasil no Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

José Murilo de Carvalho é o sexto ocupante da Cadeira 5 da Academia Brasileira de Letras, eleito em 11 de março de 2004, na sucessão de Rachel de Queiroz. Foi recepcionado em 10 de setembro de 2004 pelo acadêmico Affonso Arinos de Mello Franco.

(Fonte: Wikipédia, 16/04/2014)

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Displaying 1 - 10 of 10 reviews
Profile Image for Cecília Matos.
5 reviews5 followers
January 25, 2014
Li um capítulo de "A formação das almas" durante a disciplina de História do Brasil imperial, na faculdade de História, em 2005, e gostei muito. Era a parte do livro que trata da construção da imagem heroica de Tiradentes, muito atrelada aos intuitos republicanos de criar novos ícones de identificação popular que remetessem a resistência do Brasil contra Portugal. Entretanto, somente em 2011, ao estudar a bibliografia recomendada para a seleção de mestrado em História Social, li o livro inteiro. É interessante como o autor analisa as menções que a nossa proclamação da república faz a Revolução francesa. A imagem da república como uma figura feminina representada nos jornais, o escárnio com o Império associado a um velho cansado e a não identificação popular com os novos ideais, são muito bem explicados no livro. É interessante como ao ler José Murilo de Carvalho, eu sempre me sinto impelida a uma certa nostalgia do Império. Penso que esse é um livro fundamental para qualquer pessoa que queira entender melhor as origens do Brasil republicano e os monumentos representativos da época no Rio de Janeiro.
Profile Image for Pedro Ceneme.
99 reviews
September 16, 2022
Neste breve livro, José Murilo de Carvalho discute a formação das figuras mitológicas que legitimariam a república brasileira. O autor se concentra na análise da criação e ressignificação de algumas figuras republicanas: a bandeira nacional, a imagem da república, os heróis republicanos (com destaque para Tiradentes). Carvalho argumenta que a necessidade de símbolos visava criar um arcabouço do para explicar e justificar o regime instalado, de forma que seus ideias e conceitos fossem rapidamente apreendidos pela população. Isso era duplamente necessário em um país essencialmente analfabeto e onde o regime foi imposto, não havendo um movimento republicano de relevância na população.

O autor discute como, na sequência da proclamação, três grupos disputaram, também no campo das ideias, como seria a configuração ideológica da república que se consolidava: jacobinos radicais, liberais no estilo norte-americano e positivistas cientificistas e anti-representativos. Além da disputa nas câmaras, é interessante notar como esses diferentes grupos buscavam se apropriar e ressignificar figuras e fatos específicos da história brasileira para fundamentar suas próprias agendas e formatação política. De grande destaque aqui é o debate ao redor da figura de Deodoro da Fonseca e seu papel no movimento e na declaração de Independência: ora retratado como um republicano de última hora, na verdade um monarquista histórico que se aproveitou de circunstâncias do momento; ora visto como um símbolo pelo progresso contra um regime decadente e corrupto; ora como pai e fiador do movimento republicano nacional. A incerteza ao redor dos fatos nos momentos imediatamente antes e depois da declaração abriu espaço para que diversas “realidades” se consolidassem no imaginário da população, com um “mito” de Deodoro que passou a história sendo na mais que uma simplificação grosseira.

Outro trecho que sintetiza muito bem os debates do livro gira em torno da figura de Tiradentes: diferente de representações republicanas tradicionais (como a própria figura feminina da república), o símbolo unanime do movimento que passou para história foi o revolucionário mineiro. Este, no entanto, não o fez por compartilhar de fortes semelhanças com os ideais republicanas modernos, mas sim por carregar traços bastante específicos da sociedade que o gerou, especialmente uma alta carga de religiosidade. É interessante notar como os líderes do movimento republicano se apoiaram em diversas imagens e conceitos mais tradicionalmente associados a filosofia política que sustentava o regime que haviam acabado de derrubar para construir seu próprio herói. Outro exemplo claro disso é a bandeira: depois de muito se debater em termos de formatos e cores, optou-se por uma versão com poucas mudanças em relação ao esquema tradicional do Império brasileiro, que refletia as cores da casa imperial.

O livro só não vale cinco estrelas, na minha visão, pois é repetitivo em diversos pontos. Acredito que isso se deve ao fato de boa parte dos capítulos serem artigos reciclados de alguma forma pelo autor, que poderiam ter sido melhor editados e condensados.
Profile Image for Paulo Mendes.
61 reviews3 followers
July 26, 2018
José Murilo de Carvalho nos apresenta um livro com uma abordagem um tanto quanto singular para entendermos um dentre vários diferentes aspectos que envolvem a proclamação da República: o simbolismo. Não há dúvida que os símbolos nos dizem muito, embora na maioria das vezes isso não seja percebido de forma consciente. O livro mostra as lutas entre as frentes ideológicas para se “apropriarem” da República recém criada e, mais do que isso, mostra os sucessos e insucessos dos protagonistas daquele período para consolidá-la por meio dos símbolos. É possível entender, por exemplo, porque a Bandeira Nacional, embora mantendo o mesmo padrão da Bandeira Imperial, tenha tido sucesso como símbolo nacional, ainda nos dias de hoje, o mesmo ocorrendo com o Hino Nacional. Ambos tiveram e têm sucesso maior, por exemplo, do que a representação da República por meio de uma figura feminina, como ocorreu na Revolução Francesa, com a diferença de que lá tal representação teve sucesso, enquanto que aqui não. Outro capítulo interessante é sobre a transformação de Tiradentes, um personagem do período Colonial, que sobrevive ao período Imperial e se consolida como herói em plena República! Muito além da simples análise do simbolismo, e decorrente dessa mesma análise, o livro indica caminhos para entender os motivos pelos quais nossa República, muitas vezes, e ainda hoje, parece inacabada.
Profile Image for Anderson Paz.
Author 6 books20 followers
February 20, 2026
Excelente obra sobre como as elites buscaram legitimar a República por meio de símbolos, mitos e imagens que formassem os valores da alma brasileira. Apesar de todo esforço, criou-se um liberalismo sem cidadania, e não um imaginário popular republicano.

Liberalismo, jacobinismo e positivismo lutaram para dar forma à República. Um tipo de liberalismo sem cidadania e com corrupção venceu. Houve muita luta por pápeis na origem da República: o militarismo de Deodoro, o positivismo de Constant e o republicanismo de Bocaiúva. Tiradentes foi mitificado para se tornar herói da República. Positivistas tentaram ilustrar a República como uma mulher que ganha liberdade, mas foram zombados pelos críticos. A bandeira foi construída sob influência positivista e simbologia monárquica e o hino foi feito sob influência popular e de tradição cívida. Os positivistas foram os principais manipuladores dos símbolos da República e, consequentemente, do imaginário social. Ao fim, não foi possível criar um imaginário popular republicano.
Profile Image for Erick Carvalho.
94 reviews12 followers
July 23, 2026
"A formação das almas" é um livro basilar para a formação de qualquer historiador e, ao mesmo tempo, uma delícia de ler e reler. Sempre que o faço, lembro-me de como um texto pode ser tão leve e informativo, além de apresentar, com descontração, múltiplas visões sobre a construção da nossa República, uma nação que ainda busca encontrar-se em suas fragmentadas concepções de Brasil.
Profile Image for Cicera Pereira.
127 reviews
July 21, 2020
É um livro que explora os diversos seguimentos que se deu para a formação da República simbólica que uniria o povo brasileiro.
Profile Image for Gustavo Braga .
41 reviews1 follower
September 25, 2021
Achei que o começo foi bom, mas depois se perdeu um pouco. Tive sono no fim.
Um livro interessante para entendermos melhor a nossa República.
Profile Image for Igor.
596 reviews19 followers
April 11, 2024
Assunto obrigatório pra entender história nacional. Não acho o tema dos mais emocionantes... mas é necessário. O autor soube apresentar muito bem o tema. Pelo menos um bom resumo dele.
Profile Image for Mica.
97 reviews3 followers
May 21, 2025
José Murilo de Carvalho foi um cientista político, historiador, professor universitário e escritor brasileiro, eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2004. Em "A formação da almas", o autor apresenta ao leitor uma análise bastante aprofundada sobre o período da Proclamação da República, que tornou-se uma referência para entender como essa Republica, instaurada por uma golpe militar, sem a participação popular, tentou criar símbolos e mitos para construir uma identidade nacional.
Jose Murilo explora a ideia de que em um pais onde o povo era, majoritariamente, analfabeto e alheio à politica, os ideais republicanos nasceram sem um imaginário social forte. Assim, a grande questão tornou-se como criar um sentimento de pertencimento; e a narrativa detalha as disputas ideológicas entre diferentes correntes que refletiram na escolha dos símbolos nacionais. O caso de Tiradentes é um dos exemplos mais examinados por Carvalho, que explica como a figura do inconfidente foi reanimada e transformada no grande mártir e herói. Baita leitura, recomendo fortemente!
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