Sem apoio, Síria pode levar até o ano de 2080 para reerguer sua economia
Estudo revela que para resgatar Produto Interno Bruto, PIB, em um prazo de 10 anos, seria necessário aumento de seis vezes no crescimento econômico anual; taxa de pobreza quase triplicou no país, passando de 33% para 90%; um em cada quatro sírios está desempregado.
Os 14 anos de conflito na Síria anularam quatro décadas de progresso econômico e social e causaram uma perda de US$ 800 bilhões no Produto Interno Bruto, PIB.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira em uma nova avaliação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud.
Corrida para reverter o declínio
O estudo revela que no ritmo atual, o PIB da nação árabe só retornará ao patamar anterior ao conflito após 2080.
A agência da ONU defende que acelerar a recuperação econômica é fundamental para reverter o declínio da Síria e restaurar a estabilidade.
A projeção indica que para resgatar o PIB em um prazo de 10 anos, seria necessário um aumento de seis vezes no crescimento econômico anual.
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Aumento da pobreza e do desemprego
O abalo da economia se reflete em diversos indicadores sociais.
A taxa de pobreza quase triplicou, passando de 33% antes do conflito para 90% agora. Além disso, a pobreza extrema aumentou seis vezes, de 11% para 66%.
Um em cada quatro sírios está desempregado e quase 50% das crianças entre 6 e 15 anos não frequentam mais a escola.
O Pnud estima que a guerra deixou três em cada quatro habitantes do país dependentes de ajuda humanitária.
O conflito também resultou em quase 618 mil mortes e 113 mil desaparecimentos. Muitas vidas podem ter sido perdidas devido ao colapso do sistema de saúde, tendo em vista que um terço das unidades foram danificadas e quase metade dos serviços de ambulância desativados.
Prioridades para acelerar a recuperação
O administrador do Pnud, Achim Steiner, afirmou que para além da ajuda humanitária imediata, a recuperação da Síria requer investimento a longo prazo no desenvolvimento para construir estabilidade econômica e social o povo.
Ele destacou como prioridades restaurar a produtividade para aumentar a oferta de emprego e o alívio da pobreza; revitalizar a agricultura para a segurança alimentar e reconstruir infraestruturas para serviços essenciais.
O relatório defende que a recuperação requer uma “visão nacional clara, reformas profundas e uma coordenação eficaz entre as instituições”. O documento sustenta ainda que a expansão do acesso a mercados é crucial para a recuperação econômica da Síria.